Contribuições das experiências de sentido para os saberes de experiência na aprendizagem da docência: um estudo fenomenológico à luz da Logoterapia

  • Autor
  • David Moises Barreto dos Santos
  • Co-autores
  • Danillo Holzmann Leão
  • Resumo
  • A formação docente, ao longo do seu processo histórico, tem privilegiado, o desenvolvimento de competências técnicas e pedagógicas. No entanto, permanece como desafio compreender aquilo que poderia ser chamado de formação humana do professor, isto é, a constituição dos recursos que este mobiliza para responder às demandas imprevisíveis que a prática lhe impõe. Nesse horizonte, a categoria dos saberes de experiência, tal como apresentada por Maurice Tardif, se mostra como um recurso fecundo para pensar a aprendizagem da docência. Ainda assim, parece conservar em si um certo grau de abertura quanto à sua constituição mais íntima, especialmente no que diz respeito ao modo como tais saberes se formam e se consolidam na experiência concreta dos professores.

    Assim, o presente estudo teve como objetivo compreender como as experiências de sentido, à luz da Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl, podem contribuir para a constituição dos saberes de experiência no processo de aprendizagem da docência. Parte-se da hipótese de que tais experiências, próprias da dimensão noética da pessoa, podem oferecer elementos estruturantes para a compreensão desse núcleo vital dos saberes docentes.

    Para tal, realizou-se uma investigação de caráter qualitativo, orientada pelo método fenomenológico, assumido não só como um procedimento técnico, mas como uma atitude compreensiva de abertura ao fenômeno tal como ele se mostra. A escolha por essa abordagem se justifica pela natureza do objeto investigado (as experiências de sentido) que, por sua constituição, exigem um método que preserve sua dimensão vivida, sua singularidade e, ao mesmo tempo, sua estrutura essencial. As vivências foram acessadas por meio de entrevistas de orientação fenomenológica com três professores da Educação Básica, selecionados intencionalmente por apresentarem experiências significativas no âmbito da prática docente.

    Os relatos foram analisados segundo a orientação fenomenológica de van der Leeuw, que compreende as vivências como portadoras de uma estrutura passível de reconstrução compreensiva. O percurso analítico envolveu, inicialmente, a nomeação e organização das vivências descritas, seguida de um movimento de inserção na própria vida, no qual se reconhece a ressonância do fenômeno no pesquisador como elemento de acesso à sua inteligibilidade. Em seguida, procedeu-se à epoché, entendida como a suspensão de juízos prévios, visando preservar a estrutura própria da experiência. A etapa de elucidação permitiu explicitar as conexões de sentido presentes nos relatos, conduzindo à formulação de compreensões progressivas, continuamente retificadas à luz dos dados. Por fim, realizou-se a reconstrução da experiência, culminando na elaboração de uma experiência-tipo, entendida como síntese compreensiva das estruturas essenciais do fenômeno.

    A análise das entrevistas possibilitou identificar, em meio à pluralidade dos relatos, uma estrutura comum às experiências de sentido vividas pelos participantes. De modo geral, tais experiências se apresentaram como uma percepção simultaneamente afetiva e cognitiva de valores, que se mostraram ao sujeito como significativos e o convocaram a uma resposta. No plano afetivo, evidenciou-se uma ressonância afetiva interna diante da realidade vivida; no plano cognitivo, uma orientação da consciência que indica um modo de agir. Tal percepção implica uma convocação pessoal, na qual o sujeito se vê interpelado a posicionar-se de maneira singular diante das circunstâncias.

    No que se refere à realização do sentido, destacaram-se três categorias fundamentais, em consonância com a Logoterapia: a realização de valores criativos, expressa na personalização do ato educativo, como expressão de sua pessoa; de valores vivenciais, sobretudo por meio do encontro significativo com alunos e pares; e de valores de atitude, evidenciados na capacidade de sustentar uma resposta significativa diante de situações adversas. Observou-se ainda o papel do encontro como acontecimento, operando como ponto de inflexão na trajetória docente e contribuindo para a reconfiguração da identidade profissional, permeando as três categorias de valor trazidas por Frankl.

    Tais experiências, quando elaboradas, passam a integrar os saberes de experiência, atuando como um núcleo organizador que orienta a ação do professor diante das demandas da prática. Nesse sentido, evidenciou-se que o vivido não apenas compõe a trajetória profissional, mas, quando significado, torna-se critério de decisão, fonte de coerência existencial e fundamento da identidade docente.

    Conclui-se que as experiências de sentido podem se constituir como um elemento estruturante dos saberes de experiência, contribuindo para a aprendizagem da docência ao oferecer ao professor recursos para posicionar-se de maneira livre e responsável diante da realidade. Tais achados apontam para a necessidade de considerar, de modo mais explícito, a dimensão existencial na formação docente, indicando que a incorporação das experiências de sentido em processos formativos pode favorecer práticas pedagógicas mais conscientes, integradas e orientadas por valores.

  • Palavras-chave
  • Experiências de sentido, Logoterapia, Saberes de experiência, Aprendizagem da docência, Fenomenologia
  • Área Temática
  • Educação
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)