O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de um minicurso desenvolvido no âmbito de um projeto de extensão, cujo propósito foi promover a introdução aos conceitos da Logoterapia por meio da reflexão sobre o sentido da vida no cotidiano. A atividade foi realizada na Universidade Católica do Salvador (UCSal) e integra o programa de extensão “Caminhos para uma vida com sentido”, da Universidade Estadual de Feira de Santana.
O minicurso, intitulado “O sentido na vida cotidiana: reflexões segundo Viktor Frankl”, foi ministrado com carga horária de 4 horas, por três palestrantes, e contou com a presença de 7 inscritos. Estruturado de forma dinâmica e coesa, o curso foi planejado para ser acessível a participantes independentemente de formação prévia, contemplando estudantes de graduação, pós-graduação e docentes. Foram abordados conceitos centrais da Logoterapia, tais como experimento crucis, ontologia dimensional, liberdade da vontade, vontade de sentido, sentido da vida e vazio existencial. O formato adotado foi expositivo-dialogado, favorecendo a participação ativa dos presentes.
Ao final do minicurso, foi disponibilizada uma ficha de avaliação, organizados em escala Likert de cinco pontos, e por questões qualitativas. Os dados quantitativos foram analisados a partir de oito itens avaliativos, cujas respostas mensuravam o nível de satisfação dos participantes em relação à estrutura, ao conteúdo e à relevância do tema. Na dimensão qualitativa, foram propostas quatro questões abertas: (1) O que mais chamou a sua atenção nesse encontro?; (2) O que poderia ser melhorado para os próximos encontros?; (3) Quão satisfeito(a) você ficou com esse encontro?; (4) Que sentido teve para você esse encontro formativo? O que foi essencial? O que você poderá levar para a sua vida pessoal?
O período de realização do minicurso influenciou a aplicação presencial da ficha de avaliação. Dessa forma, optou-se por sua disponibilização em formato on-line. Contudo, dos sete participantes inscritos, apenas cinco responderam. Os itens quantitativos apresentaram médias elevadas, variando entre 4,4 e 4,8, indicando boa receptividade da proposta. Destacaram-se o cumprimento dos objetivos, a adequação da metodologia, a abertura para participação e o aprendizado de noções introdutórias de Logoterapia, todos com média de 4,8. A relevância para a prática profissional e para a vida pessoal, bem como a avaliação do ambiente e da organização, obtiveram médias de 4,4, enquanto o tempo de duração foi avaliado com média de 4,6. A satisfação geral atingiu média máxima de 5,0, evidenciando impacto positivo da experiência.
No âmbito qualitativo, os relatos evidenciaram uma experiência marcada por envolvimento, identificação pessoal e valorização da proposta metodológica. Destacaram-se elementos como a integração entre os participantes, a condução das facilitadoras e o formato em roda de conversa, percebido como favorecedor da escuta e da reflexão. Expressões como “superou minhas expectativas”, “evento necessário e transformador” e “fiquei feliz de ocupar meu tempo dessa forma” indicam não apenas satisfação, mas também engajamento significativo com a proposta.
Esse alto nível de satisfação, aliado às sugestões recorrentes de ampliação do tempo do encontro, aponta para um dado relevante: a limitação não esteve na qualidade da experiência, mas em sua duração. Comentários como “poderia ser em 2 ou 3 encontros”, “mais tempo” e “aprofundar o tema” indicam demanda por maior continuidade e aprofundamento, sugerindo que o minicurso operou como disparador inicial de interesse e reflexão, especialmente no que se refere à aplicação da Logoterapia na vida pessoal e na formação acadêmica.
Conclui-se que o minicurso, enquanto ação extensionista, cumpriu seu propósito ao integrar o saber acadêmico a experiências concretas de reflexão existencial, alcançando participantes de diferentes áreas de formação. Foi possível notar que o número reduzido de participantes favoreceu maior proximidade e troca, possibilitando um espaço de escuta e aprofundamento coerente com a proposta da Logoterapia. Seu caráter acessível e dialógico contribuiu para reflexões significativas sobre a existência, com impactos percebidos tanto na dimensão pessoal quanto na formação acadêmica dos envolvidos.
Dessa forma, os resultados apontam para o potencial formativo e transformador da Logoterapia, especialmente na medida em que promove sentido diante das experiências cotidianas e do sofrimento humano. A satisfação registrada, associada aos relatos qualitativos e à demanda por maior aprofundamento, reforça a relevância de iniciativas dessa natureza na promoção de um conhecimento aplicado à vida. A experiência evidencia, ainda, que ações extensionistas podem gerar engajamento e impacto, contribuindo para a formação crítica e para o desenvolvimento pessoal dos participantes, além de apontar para a necessidade de continuidade em futuras edições.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)