Esse trabalho tem por finalidade discutir como a Logoterapia pode ser útil em diferentes contextos clínicos e para diferentes perfis de pessoas no campo psicoterapêutico. Trata-se de um ensaio teórico de base bibliográfica, ancorado em alguns textos de Viktor Frankl e articulado a um relato reflexivo de experiência clínica. Sabemos que toda psicoterapia possui paradigmas filosóficos que a fundamentam. A Logoterapia sistematiza sua prática a partir do diálogo e da reflexão existencial, valendo-se do diálogo socrático como um dos principais recursos para conduzir as sessões no setting psicoterapêutico (FRANKL, 2019, p. 9). Acrescentam-se, ainda, as características de personalidade do paciente e do psicoterapeuta como elementos prévios à escolha do método mais adequado para cada caso (FRANKL, 2011, p. 138; 2016, p. 19). Além de ser útil para tratamento das neuroses, a Logoterapia pode também ser um recurso para outros perfis de pacientes (FRANKL, 2011, p. 19) que buscam psicoterapia sem necessariamente possuírem algum psicodiagnóstico. Ser alguém responsável, em alguma medida, exige certos níveis de maturidade. Em seu sentido semântico mais corrente, ser alguém maduro alude à ideia de alguém mais experiente, aprimorado e que consegue elaborar reflexões mais profundas. Do ponto de vista existencial, a maturidade pode ser entendida como a disposição de posicionar-se diante da vida de modo atento, responsável, consciente e com discernimento. Nesse sentido, a abordagem logoterapêutica pode ser um caminho para se tornar alguém mais responsável, na medida em que a própria consciência do paciente se torna recurso norteador para o encontro com os sentidos contidos em determinadas circunstâncias. A frustração existencial, pode, em alguns casos, servir de base para o desencadeamento de prejuízos em saúde mental, seja por meio do vazio existencial, de angústias associadas a sintomas ansiosos ou depressivos, seja na base de comportamentos mais graves, como o comportamento suicida. A espécie humana, mesmo quando tem suas necessidades relativamente satisfeitas (MASLOW, 1943, p. 1), continua podendo colocar em questão o sentido da vida (FRANKL, 2016, p. 25). O método logoterapêutico propõe alguns pilares que são fundamentais ao setting psicoterapêutico para desenvolver o amadurecimento humano: a) a pessoa, embora condicionada, conserva certo grau de liberdade perante determinadas circunstâncias; b) a existência humana só se realiza quando a pessoa exerce sua liberdade com consciência moral (Gewissen) e responsabilidade (Verantwortlichsein) (FRANKL, 2016, p. 33, 159); c) a logoterapia parte da dimensão noética para abordar demandas existenciais, favorecendo o desenvolvimento da consciência e da responsabilidade. A finalidade de orientar para escolhas com sentido é que o paciente possa vir a ser alguém diferente, não por alterar o próprio ser, mas por conduzir responsavelmente a própria existência, tornando-se alguém diferente (Anders-werden) a partir do aprendizado avindo da experiência. De modo notório, ao falar de logoterapia como método psicoterapêutico estamos apontando que a vida e até mesmo o sofrimento podem servir como fundamentos para extrair uma lição ou encontrar um sentido apesar da dor. Diante do exposto, podemos investigar quais são os perfis de pacientes que buscam por psicoterapia. De modo geral, na minha experiência, sublinho três perfis: pacientes com quadros psicopatológicos diagnosticados; pacientes com sofrimentos existencial e biográfico, sem psicodiagnóstico; pacientes que buscam autoconhecimento. Diante desse cenário, a logoterapia pode ser útil, auxiliando os pacientes, de forma específica, ao abordar questões existenciais como a percepção de que a vida não tem mais sentido, ou de modo inespecífico, quando funciona como abordagem complementar a alguma outra linha psicoterapêutica (FRANKL, 2016, p. 55) lidando, por exemplo, com fobias entre outras demandas. Assim, destaca-se o caráter cooperativo da Logoterapia com outras escolas desde que se evite o reducionismo. É relevante também a sua abrangência, pois ao compreender o ser humano como pessoa tridimensional pode atuar de modo complementar diante de demandas endógenas e psicogênicas, alcançando sua especificidade no tratamento de questões noogênicas. Por fim, a centralidade na responsabilidade se configura ao orientar os pacientes para o sentido daquilo que constitui o dever concreto do cotidiano e, ao mesmo tempo, provoca à pessoa a reflexões que exigem tempo, discernimento, escuta da própria consciência moral para avaliar o seu quadro. Conclui-se que a Logoterapia, sem perder sua especificidade clínica, pode ser compreendida como escola psicoterapêutica orientada para a responsabilização existencial da pessoa diante da própria vida.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)