A carreira docente é caracterizada como um processo dinâmico e não-linear, além de ser marcada por transições que representam mudanças qualitativas na forma como professores percebem e exercem a docência e como se desenvolvem profissionalmente. Um dos pontos poucos explorados na carreira docente é o sentido na vida. Tomando como base Viktor Frankl, a busca por sentido constitui a principal força motivadora da existência. Nesse contexto, o projeto de vida pode ser compreendido como um caso particular de sentido na vida, no qual a pessoa tem um objetivo de longo prazo que é significativo para si e contribui positivamente em algum grau para o mundo ou as pessoas. Envolve uma organização dinâmica de metas, valores, expectativas e sentidos que orientam escolhas e trajetórias ao longo do tempo, sendo continuamente (re)visado a partir das experiências vividas e das condições concretas da existência. O presente trabalho tem como objetivo compreender projetos de vida de professores na fase de variação de carreira, ou seja, que possuem entre 8 e 15 anos de atuação.
Trata-se de resultados parciais de uma pesquisa feita com 4 professores(as) da Educação Básica da Bahia que estão na fase da carreira docente em tela. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas a partir de um roteiro adaptado de quatorze perguntas, o qual foi criado pelo Adolescente Center da Universidade de Stanford. A análise de tais entrevistas é feita a partir de um protocolo desenvolvido por esse mesmo grupo, o qual foi adaptado para o contexto brasileiro e visa identificar o objetivo central da vida de cada pessoa, bem como suas motivações e ações relacionadas a tal objetivo.
A seguir, há uma descrição breve de cada um dos participantes (com nomes fictícios). Manuel é professor de alunos do ensino fundamental, médio e da EJA, trabalha na rede pública municipal e estadual e possui 15 anos de carreira docente. Apresenta como objetivo central se aposentar e viajar, visto que ele dá aula em 15 turmas e tem uma rotina corrida e cansativa. A educação aparece como uma forma de subsistência e ele não expressa ações atuais ou futuras para alcançar o objetivo almejado.
Aline tem 10 anos de carreira e atua como psicopedagoga em escola particular no atendimento educacional especializado, acompanhando cerca de 90 alunos atípicos. Tem como objetivo central de sua vida trabalhar com educação especial. Ela almeja abrir seu próprio espaço de atendimento voltado a crianças atípicas, especialmente no âmbito educacional. Nesse sentido, a educação configura-se como objetivo central de sua trajetória, enquanto a criação do espaço clínico aparece como estratégia para viabilizar sua atuação nesse campo, funcionando como motor de suas ações. Para esse fim, ela busca estabilidade financeira, através do estudo para concursos públicos e investe no seu espaço pedagógico, comprando jogos e materiais.
Ana trabalha como coordenadora pedagógica na rede pública municipal e estadual, com alunos do ensino fundamental e ensino médio, tendo 10 anos de atuação nessa área. O seu objetivo central é “fazer a vontade daquilo que Deus quer para a minha vida”. Ela se mostra entusiasmada com o seu caminho de fé e percebe a docência como expressão de sua crença. Ela encontra sentido em seu cotidiano vivendo a sua fé e busca “sobreviver e vencer o mal de cada dia”, não demonstrando estruturação de planos futuros. Apesar de até mencionar alguns, como desejar servir em missão para África e trabalhar com pessoas surdas e cegas, atualmente ela não tem metas físicas ou mesmo mentais para progredir nessa direção.
Tainá é professora da rede pública estadual e trabalha com alunos do ensino médio há 15 anos. Ela foi mãe cedo e teve que trabalhar muito, apresentando atualmente cansaço com a profissão. A sua principal meta na vida é buscar evolução pessoal e autocuidado, priorizando sua saúde mental, por exemplo, por meio de psicoterapia. Outro objetivo importante para Tainá é garantir a formação dos seus filhos, o que a fez financiar uma casa na cidade de Feira de Santana como forma de garantir melhores condições de ensino para seus filhos.
Diante dos dados parciais obtidos, os achados revelam tanto fragilidades quanto níveis distintos de estruturação, de forma que, embora temas como família, trabalho e saúde ocupem lugar central na vida desses profissionais, nem sempre se articulam a um planejamento futuro consistente. Para dois professores, os projetos de vida aparecem de forma mais difusa, com foco na aposentadoria, no descanso ou na busca por melhores condições de vida, o que pode estar relacionado à sobrecarga e às exigências da prática docente. Por outro lado, outros dois demonstraram trajetórias mais estruturadas, nas quais a própria atuação na educação se configura como eixo organizador da vida, orientando metas, investimentos e ações concretas no presente. Além disso, elementos como valores pessoais, espiritualidade e experiências profissionais específicas influenciam diretamente a maneira como esses sujeitos encontram sentido à sua trajetória e projetam o futuro.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)