Este trabalho objetiva analisar como a educação escolar pode ser uma instância mediadora para a busca por sentido na adolescência. Sob essa perspectiva, a adolescência apresenta-se como uma etapa do desenvolvimento humano marcada pela aquisição de habilidades e, não raro, pela busca por sentido na vida. Segundo a logoterapia de Viktor Frankl, o vazio existencial é o sintoma aparente quando o ser humano não satisfaz sua motivação primária: a vontade de sentido. Na pessoa humana e, especificamente na adolescência, o tédio, a agressividade, a dependência química, o comportamento suicida dentre outros transtornos mentais podem desvelar a ausência de um sentido norteador na vida. Diante disso, torna-se necessário refletir sobre instrumentos mediadores de sentido na vida dos adolescentes, sendo o período escolar relevante nesse processo. No que diz respeito à metodologia, este estudo configura-se como um ensaio teórico de categoria analítico-conceitual, pois as categorias franklianas como: vazio existencial, sentido de vida, liberdade e responsabilidade, autotranscendência e valores são analisadas à luz de uma logoteoria em articulação com uma fase de desenvolvimento específica, que é a adolescência inserida no contexto educacional e escolar. Nesse viés, mais do que transmitir conhecimentos, a escola tem como finalidade despertar a consciência para a tomada de decisões autônomas e autênticas (Frankl, 2003) que desempenham papéis transformadores e humanizados no mundo. Desse modo, o papel da instituição escolar consiste na formação integral da pessoa em duas dimensões que não são dicotômicas, mas complementares e interdependentes, uma vez que, ao mesmo tempo em que promove a aprendizagem de conteúdos técnico-científicos, contribui para a construção do ser humano e para sua mobilização em projetos de ação para algo ou alguém, como uma obra a ser concretizada. Assim, a ação educativa deve fundamentar-se nos conhecimentos escolares de modo que favoreça, no plano noético, o direcionamento dos estudantes para a descoberta e a realização do sentido da vida de forma comprometida e eficaz. No entanto, observa-se, no cenário contemporâneo, a valorização da autorrealização entre os jovens, frequentemente estimulada pelos meios educacionais, que priorizam a formação técnico-científica em detrimento do desenvolvimento de dimensões especificamente humanas. Em contraposição, uma educação orientada para a autotranscendência mostra-se capaz de promover a formação de sujeitos que encontram realização na medida em que se dedicam a algo ou a alguém, indo além de si mesmos. Tal perspectiva contribui para a construção da consciência de si e do mundo ao seu redor, além de favorecer o desenvolvimento de valores criativos e atitudinais, fundamentais na busca por sentido. Nesse contexto, o meio escolar consolida-se como espaço de formação de adolescentes capazes de vivenciar experiências significativas e de desenvolver resiliência e valores atitudinais. Isso pode ser promovido por meio de projetos curriculares, práticas pedagógicas e da formação da gestão escolar, conforme a organização intencional do ensino (Libâneo, 1990), orientadas à construção de uma pedagogia do sentido da vida. Conclui-se, portanto, que o sistema educacional, ainda que tradicionalmente voltado largamente à mera transmissão de conteúdos, pode assumir um papel fundamental, contribuindo não só com a transmissão de valores e no desenvolvimento da consciência crítica, como também para a constituição do adolescente como pessoa e para a realização da vontade de sentido. Além disso, a literatura aponta que, a educação, bem como a prevenção do vazio existencial da adolescência, poderá ajudar o adolescente a atravessar sua crise existencial (Aquino, 2011) ao promover uma maior percepção de sentido de vida, por meio de uma orientação existencial para a vida.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)