Viktor Frankl sustenta que a principal motivação humana é a busca por sentido, compreendendo a vontade de sentido como eixo central da existência. Em diálogo com essa compreensão, a noção de Projeto de Vida tem sido amplamente discutida no campo do desenvolvimento humano, sendo compreendida como uma intenção estável e generalizada de alcançar algo que é significativo para o sujeito, mas que também produz um impacto positivo para além de si. Nessa perspectiva, o projeto de vida não se reduz a metas imediatas, mas envolve uma organização da existência orientada por objetivos de longo prazo, articulando significância pessoal, autotranscedência e engajamento em ações concretas.
No campo da educação, esse conceito ganha relevância ao considerar o papel dos professores não apenas na formação integral de estudantes, mas também no desenvolvimento de trajetórias profissionais dotadas de sentido. Nessa direção, o presente estudo busca compreender como projetos de vida se configuram em professores em fase final de carreira, investigando seus objetivos, motivações e a forma como organizam suas ações no presente e projeções.
Participaram da pesquisa 12 professores da Educação Básica da Bahia, predominantemente mulheres, em fase final de carreira: a partir de 20 anos para mulheres e 25 anos para homens. Os participantes foram recrutados por amostragem de conveniência e eles responderam a um questionário sociodemográfico e a uma entrevista semiestruturada, baseadas em roteiro adaptado do Center on Adolescence da Universidade de Stanford. As entrevistas foram transcritas e analisadas qualitativamente por meio de um protocolo de codificação que examina objetivos centrais, motivações e evidências de ações, sendo então codificadas, analisadas e discutida por mais de um pesquisador. Esse protocolo também foi adaptado de uma proposta do mesmo centro de pesquisa da Universidade de Stanford.
A análise identificou três formas principais de organização dos projetos de vida: “projeto de vida”, “objetivo significativo centrado no presente” e “objetivo autocentrado”, com predominância das duas primeiras. De modo geral, os objetivos dos participantes concentram-se principalmente na família, mas houve menções de projetos compartilhados com o campo da educação e da saúde.
Os casos classificados como “projeto de vida” evidenciam a presença de motivações além de si e ações articuladas a objetivos futuros, frequentemente relacionados ao cuidado com outras pessoas e à contribuição social por meio da educação. Dentre os entrevistados, pode-se mencionar Javier, professor com cerca de 25 anos de atuação, cujo objetivo principal envolve o cuidado com a família e a contribuição social por meio da educação. Suas ações atuais incluem o cuidado cotidiano com entes amados e a atuação docente, gestão escolar e realização de palestras. Seus planos futuros abrangem formação continuada, ampliação de suas atividades e produção intelectual. Seu caso é classificado como projeto de vida por articular motivação além de si, objetivos de longo prazo e ações consistentes.
Já os “objetivos significativos centrados no presente” revelam forte engajamento em atividades cotidianas dotadas de sentido, porém com limitada projeção prospectiva e dificuldade de planejamento de longo prazo. Para ilustrar, Elaine, professora com mais de 20 anos de carreira, tem uma rotina organizada em torno da convivência familiar e do trabalho docente, ambos vivenciados como fontes de sentido. Suas ações atuais envolvem dedicação à família e à profissão, porém suas projeções futuras aparecem pouco estruturadas, com desejos mencionados, mas sem planejamento consistente. Seu objetivo principal é viver com leveza e proximidade familiar.
O “objetivo autocentrado”, por sua vez, aparece associado principalmente a preocupações com a própria saúde e bem-estar, ainda que acompanhado de ações concretas. Uma das entrevistadas, Iolanda, é atualmente gestora escolar e tem como foco principal o cuidado com a própria saúde. Suas ações atuais incluem terapia, atividade física, desenvolvimento da espiritualidade e busca por equilíbrio emocional, enquanto suas projeções futuras envolvem bem-estar e tranquilidade. Seu objetivo central está voltado ao autocuidado, sendo classificado como autocentrado por apresentar motivações mais predominantemente voltadas a si mesma.
É importante destacar ainda alguns temas relevantes que emergiram nesse público de professores de final de carreira de forma transversal: realização docente, preocupações com saúde, aposentadoria e perspectivas após a carreira docente.
Frente aos dados apresentados, é possível compreender que professores em final de carreira desse estudo demonstraram em sua maioria viver uma vida com sentido, muito embora parte deles não constituam um projeto de vida pleno, especialmente, com projeções mais estruturadas. Os achados contribuem para a compreensão dessa etapa da carreira docente e apontam implicações para a formação continuada e políticas públicas, incluindo o cuidado com a saúde integral e o planejamento da transição para a pós-carreira.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)