PERCEPÇÃO SOBRE O SUICÍDIO: COM A PALAVRA ESTUDANTES DE ENFERMAGEM

  • Autor
  • Iago Barbosa Ribeiro
  • Co-autores
  • Bruna Lorena Morais de Oliveira , Adriana Braitt Lima
  • Resumo
  •  

    Introdução: O suicídio é um fenômeno multifatorial que envolve interações biológicas, psicológicas e culturais em momentos históricos específicos da vida. No ambiente acadêmico, a susceptibilidade a ideias suicidas está ligada a sentimentos angustiantes, como o cansaço do percurso, a separação familiar e a sobrecarga de responsabilidades. Sob a ótica da Logoterapia e Análise Existencial (LAE), um certo nível de tensão faz parte do bem-estar mental durante a existência da pessoa (noodinâmica), uma tensão entre o que se é e o que se deveria vir a ser, ou ainda da tensão por um sentido, um desafio a ser realizado. Já as situações de neurose noogênica, comum nas pessoas com ideias suicidas, consiste num estado de adoecimento decorrente de frustração da vontade de sentido, um estado em que a pessoa não conhece nada que possa preencher aquilo que denominamos como vazio existencial. Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender a percepção de estudantes de enfermagem sobre o suicídio, fundamentando-se na antropologia frankliana. Metodologia: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa realizado em uma Instituição de Ensino Superior em Feira de Santana no estado da Bahia. Os critérios de elegibilidade foram: estar regularmente matriculado e frequentando o curso de Enfermagem; os participantes foram sete estudantes de enfermagem. As informações foram coletadas via entrevistas semiestruturadas on-line, por meio da plataforma Zoom, após assinatura digital do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) no primeiro semestre do ano de 2021. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa sob o parecer nº 3.706.976. A produção de dados utilizou a configuração triádica (humanista, personalista e existencialista) de Vietta, envolvendo leitura exaustiva, identificação de unidades de significado e agrupamento em categorias empíricas submetidas à análise compreensiva na perspectiva da LAE. Resultados e discussões:  Diante da análise das falas dos participantes emergiram três categorias empíricas. A primeira, "Percepção das causas e consequências", revelou o ato suicida como decorrente de um "mix de problemas" subjetivos e sociais. As falas destacaram que o suicídio é um tabu, com causas muitas vezes "desconhecidas" para familiares, gerando um vazio de respostas. Houve uma crítica importante sobre a lacuna na graduação: estudantes sentem que o tema é "pouco debatido" e que o conhecimento especializado é insuficiente para identificar sinais na prática hospitalar, onde o contato com jovens mutilados é real e impactante. A segunda categoria, "Sentimentos que envolvem as ideias suicidas", trouxe o âmago do sofrimento noético. As participantes descreveram a ideação como uma "fuga daquilo que não se consegue controlar" e uma "profunda desesperança". Uma das falas mais contundentes descreveu o ato como uma "válvula de escape" para um sofrimento que dói mais do que viver, onde a morte é vista como a única alternativa para "diminuir a dor". Revelou-se a "mania de viver por obrigações", que gera sobrecarga emocional e o medo de ficar sozinha. Além disso, emergiu a culpa e a impotência dos pares, que se questionam sobre onde "falharam" ao não ouvirem os pedidos de socorro, muitas vezes silenciosos. A terceira categoria focou no "Cuidado e intervenção". As estudantes reconheceram que ninguém se suicida apenas para "chamar atenção", mas por uma dor banalizada pelo outro. Em meio aos relatos pode-se perceber que o pedido de socorro pode ser "bem discreto" e exige uma comunicação atenciosa. Um relato resiliente demonstrou que, ao pedir ajuda à família e a professores no colegiado do curso de enfermagem, foi possível reverter a ideação e encontrar gratidão. Por fim, a pandemia COVID-19 foi apontada como intensificadora de gatilhos, testando a população e agravando o adoecimento psíquico pela quarentena e isolamento. Considerações finais: Na perspectiva da LAE, as falas confirmam que o suicídio está atrelado à perda do sentido e ao tédio existencial, mas Frankl nos lembra que a vida mantém possibilidades de sentido até o último suspiro. A discussão conclui que a percepção das estudantes transcende o tecnicismo, alcançando o "otimismo trágico" ao entender que o sofrimento inevitável pode ser transformado em conquista humana. É urgente que a formação em enfermagem promova espaços de escuta empática e diálogo, aguçando a consciência para captar a exigência de cada situação. Somente por meio de uma rede de apoio que valide a dor do outro e fomente a autotranscedência será possível enfrentar o vazio existencial que alimenta o fenômeno do suicídio no cenário acadêmico e social.

     

  • Palavras-chave
  • Suicídio; Estudantes de Enfermagem; Logoterapia; Saúde Mental; Vazio Existencial.
  • Área Temática
  • Enfermagem
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)