Introdução: A jornada de formação das estudantes de enfermagem é atravessada por desafios e enfrentamentos resultado da responsabilização no cumprimento das atividades para o desenvolvimento das competências exigidas pelos componentes curriculares e necessárias para o exercício do futuro profissional. Nesse processo, podem emergir vivências de ansiedade, estresse, falta de motivação e medo frente à assunção da atenção à vida da pessoa que se cuida sobretudo nos campos de prática de cuidado aliadas a situações de adaptação física, emocional e social do estudante ao espaço acadêmico e até mesmo, a cidade considerando os que residem em outras localidades. Isso nos motivou a pesquisar: como se dá o sentido de tornar-se resiliente nas vivências das estudantes de enfermagem? Objetivo: Compreender o sentido de tornar-se resiliente nas vivências das estudantes de enfermagem. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa, norteada pelo rigor da pesquisa fenomenológica, que propõe ir "às coisas mesmas" para desvelar a essência do fenômeno vivido. O estudo foi desenvolvido em universidade pública do interior da Bahia com seis acadêmicas do curso de graduação em enfermagem, devidamente esclarecidas acerca da pesquisa, matriculadas no curso entre o oitavo e o décimo semestre, sendo escolhido este período pela imersão efetiva nos campos de prática clínica. A coleta de dados ocorreu mediante a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa sob parecer nº 3.338.802, por meio de entrevistas fenomenológicas gravadas, adotando-se a postura de epoché (suspensão de juízos prévios), a partir de questões abertas sobre "ser estudante" e as formas de enfrentamento das adversidades. A compreensão dos depoimentos seguiu a análise ideográfica e nomotética de Martins e Bicudo e teve como subsídio o referencial teórico-filosófico da análise existencial de Viktor Frankl. Resultados e Discussões: Os resultados fenomenológicos desvelaram três categorias: I) Vivências de aprendizagem no processo de formação; II) Desafios para tornar-se resiliente; e III) O despertar para conteúdos de sentido. Desvelou-se que as estudantes vivenciam uma intensa noodinâmica, ou seja, uma tensão existencial entre suas limitações presentes e o apelo do "dever-ser" profissional. Os maiores entraves à saúde mental ancoram-se em metodologias de ensino muitas vezes ineficazes, na extenuante carga horária, na enorme distância geográfica que afasta as estudantes do afeto familiar e no medo paralisante frente à responsabilidade de cuidar de vidas. No entanto, o impacto primordial desta pesquisa revela-se no modo esplêndido como as acadêmicas encontram sentido "apesar de tudo", atestando o poder da autotranscendência inerente ao ser humano. A resiliência não emergiu como um simples mecanismo de defesa psicológico, mas como a manifestação autêntica do otimismo trágico de Frankl. As estudantes ressignificam seus sofrimentos por meio da tríade de valores existenciais. Pelos valores de criação, encontram sentido no estudo árduo, entendendo que o cansaço de hoje forja a excelência da enfermeira de amanhã. Pelos valores de vivência, experienciam a empatia profunda no cuidado integral a pessoa e encontram suporte âncora nas relações tecidas com a família, pares e professores acolhedores. Sobretudo, o sentido irrompe com força incomum por meio dos valores de atitude. Frente à impossibilidade de alterar as exigências acadêmicas ou a distância de casa, as estudantes escolhem mudar a si mesmas. É particularmente impactante o relato de uma estudante que, diante das humilhações sofridas na academia, ressignifica a situação ao perceber que ter suportado aquela dor a tornou intrinsecamente mais capaz de compreender a dor e o sofrimento da pessoa sob seus cuidados. O sofrimento ganha, assim, ressignificado na empatia, não considerando que se deve sofrer para se perceber sentido na vida. Outrossim, frente ao desespero e à exaustão física e mental que as levaram a cogitar a evasão, as estudantes encontram na dimensão espiritual, consubstanciada na fé inabalável em Deus e na força da oração, o escudo supremo contra a falta de sentido. Ao refletirem sobre o "arquivo eterno" da existência, elas apreendem que as lágrimas e renúncias do presente não são hiatos de vida, mas os exatos alicerces da sua maturidade. Conclui-se que a resiliência das estudantes de enfermagem exige transformação pessoal guiada pela vontade de sentido. Urge uma educação com fundamentos na pedagogia do sentido da vida, além do tecnicismo, pois quem encontra um "porquê" para viver suporta qualquer "como" na trajetória. Posto isso, suscita-se reflexões e contribuições especialmente para os gestores e docentes universitários quanto a promoção de espaços de socialização e diálogo entre os estudantes diante das suas vivências; promoção de uma educação na enfermagem para além do modelo tradicional, de modo que seja respeitado a singularidade de cada estudante; maior articulação do serviço psicopedagógico aos estudantes que apresentem dificuldades no processo de ensino; e um serviço de apoio aos estudantes fundamentado na Análise Existencial Frankliana.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)