Cuidado e responsabilidade: os impactos da coparentalidade para o desenvolvimento infantil à luz da Logoterapia

  • Autor
  • Francisca Pereira da Cruz Zubicueta
  • Co-autores
  • Clara Cunha Costa , Melissa Ribeiro Valente
  • Resumo
  •  

    A vida familiar envolve diversas demandas, e o modo como pais ou responsáveis respondem a essas demandas parece ser fundamental para a adaptação dos próprios pais e para o bem-estar dos filhos. O modelo de funcionamento familiar de Olson integra três dimensões: coesão, flexibilidade e comunicação, em que níveis moderados de coesão e flexibilidade seriam mais adequados para o funcionamento equilibrado de uma família. Compreende-se que a criança é diretamente impactada por esse contexto, pois o ambiente familiar é fundamental no seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo. De acordo com a teoria dos sistemas familiares, uma família é composta por diferentes subsistemas que se influenciam mutuamente. O subsistema de coparentalidade reflete as funções executivas dos padrões triádicos de interação familiar (pai-mãe-filho); refere-se à maneira como os pais se relacionam entre si ao criar um filho em seus papeis de pais. Considerada um fator crucial no ambiente familiar, a coparentalidade está associada a melhores resultados comportamentais, emocionais e sociais em crianças. Pesquisas têm identificado que uma coparentalidade de alta qualidade (apoio e cooperação) propicia o ambiente para um desenvolvimento saudável da criança; enquanto a de baixa qualidade (conflitos e sabotagens) está associada a riscos de problemas comportamentais e emocionais na infância. Em diálogo, a Logoterapia e Análise Existencial afirma que o homem não é livre das condições que o afetam, mas livre para responder com sentido a essas condições, enquanto ser-consciente e ser-responsável. Além disso, o ser humano realiza sentido no mundo através dos valores. Assim, objetivou-se apresentar contribuições da Logoterapia e Análise Existencial, em um estudo de correlações entre a qualidade da coparentalidade, o funcionamento familiar e manifestações comportamentais de crianças. Visa-se uma ampliação da compreensão das interações familiares considerando que a coparentalidade convoca os pais ao compartilhamento de responsabilidades no cuidado da criação de uma criança, e a Logoterapia afirma ser a essência da existência humana a capacidade de autotranscendência, bem como a capacidade de autodistanciamento de condicionantes emocionais e afetos negativos, na medida em que lança-se ao cuidado dos filhos. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa quantitativa e transversal, analisando os dados estatísticos à luz da Logoterapia e Análise Existencial. A coleta de dados foi realizada com 335 participantes, pais e mães héteros, casados ou em coabitação conjugal, com ao menos um filho com idade entre 6 e 12 anos, residentes das cinco regiões brasileiras. A amostra foi coletada utilizando-se o método bola-de-neve, por meio de formulário on-line, contendo um Questionário Sociodemográfico e três instrumentos de autorrelato: ERC-Breve, para avaliar a relação coparental; SCORE-15, medida de avaliação do funcionamento familiar; e SDQ, medida de avaliação de capacidades e dificuldades comportamentais e emocionais da criança. A análise de dados foi feita pelo software SPSS, onde realizou-se a correlação de Spearman. Acerca dos aspectos éticos, este estudo deriva da pesquisa “As relações entre conjugalidade, coparentalidade e o bem-estar dos filhos”, homologada pela Comissão de Ética e Pesquisa da Universidade de Brasília (parecer nº: 4.541.344). Os resultados apontaram que, quanto maior a qualidade da coparentalidade entre os pais, menores as dificuldades comportamentais e emocionais da criança, como hiperatividade, problemas emocionais, de conduta e dificuldades em relacionamentos interpessoais. Evidenciou-se que quanto maior a qualidade da coparentalidade, menores as dificuldades no funcionamento familiar, no que concerne à conflitos e dificuldades na comunicação. Por outro lado, quanto maiores as dificuldades no funcionamento familiar, maior a probabilidade de problemas comportamentais e emocionais entre os filhos. Uma vez demonstrada a correlação positiva entre a qualidade do funcionamento familiar, o desenvolvimento infantil e a coparentalidade, torna-se evidente que a coparentalidade atua como uma forma de organização do sistema familiar em razão de algo além de si mesmo, visto que os resultados da dinâmica coparental recaem sobre os filhos. Frankl descreve a autotranscendência como a capacidade humana de dirigir-se a algo ou a alguém distinto de si mesmo. Já o autodistanciamento como a capacidade humana de distanciar-se de uma situação e de si mesmo (seus afetos e sentimentos), sendo o homem capaz de um antagonismo noopsíquico, ao responder de forma livre e responsável frente aos questionamentos da vida, ou das situações que esperam dele uma resposta. Conclui-se, portanto, que exercitar a coparentalidade mostra que os pais são capazes de elevar-se das dimensões biológica e psicológica para lançarem-se a algo que é valoroso: o cuidado com a criação e o bem-estar dos filhos. Por fim, ressalta-se a relevância da Logoterapia e Análise Existencial para a ampliação da compreensão da coparentalidade em meio ao funcionamento da família e do bem-estar dos filhos. Tendo em vista o antagonismo noopsíquico, os pais são capazes de distanciar-se de seus condicionamentos (psicológicos/emocionais, biológicos, sociais e ambientais), e autotranscender em função da promoção de saúde mental e cuidado na criação dos filhos.

     

  • Palavras-chave
  • Logoterapia e análise existencial, coparentalidade, funcionamento familiar, bem-estar dos filhos, teoria dos sistemas familiares
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)