O humor e o encontro autêntico: uma análise do filme “Patch Adams” a partir da Logoterapia e Análise Existencial

  • Autor
  • Clara Cunha Costa
  • Co-autores
  • Francisca Pereira da Cruz Zubicueta
  • Resumo
  • A Logoterapia e Análise Existencial compreende que a capacidade de encarar vivências por meio de uma perspetiva humorada demonstra a faculdade humana de autodistanciamento. Este conceito refere-se à capacidade de distanciar-se de si mesmo, de seus afetos e sentimentos, observando as situações “de fora". Nesse sentido, o uso terapêutico do humor compreende o homem como ser biopsiconoético. Em seu compromisso com a dignidade humana, Viktor Frankl afirma que o verdadeiro encontro transcende a autoexpressão, ocorrendo em uma coexistência de duas pessoas abertas ao logos, ao sentido, voltadas para além de si mesmas. Assim, a relação autêntica entre profissional e paciente consiste em duas pessoas que transcendem a si mesmas em direção ao sentido.

    Este trabalho aborda esse tema, ao analisar o filme “Patch Adams: o amor é contagioso”, dirigido por Tom Shadyac, que narra a trajetória de um estudante de Medicina que adota uma postura descontraída, criativa e empática. O objetivo foi analisar como o humor, como recurso no cuidado médico, viabiliza a realização de sentido tendo em vista o encontro autêntico, a partir das experiências do personagem Patch Adams, sob a ótica da Logoterapia e Análise Existencial. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa teórica, com característica analítica e descritiva, utilizando a análise de conteúdo de Bardin para estabelecer correlações entre as vivências do personagem e o referencial teórico da Logoterapia. 

    O estudo evidenciou que Patch Adams considera cada pessoa na sua singularidade e unicidade. O estudante afirma que seu maior reconhecimento como médico vem do olhar do paciente a quem ajuda. No hospital, busca conhecer o nome de cada paciente, perguntando sobre seus sonhos e memórias de infância. A sua ação demonstra dedicação ao cuidado, ilustrando a concepção de encontro autêntico para Frankl. Para a Logoterapia, tal encontro vai para além da autoexpressão e interação social, tendo como perspectiva a autotranscendência, ao ir para além de si mesmo em direção à realização de sentido. Aberto ao sentido do encontro, o homem compreende a unicidade e a humanidade do outro, o que é demonstrado na relação de Patch com o paciente Bill. Enquanto a equipe médica limitava-se ao cuidado técnico, Patch busca conhecer a sua história e, para abordar o medo da morte, veste-se de palhaço para divertir o paciente. Bill, por sua vez, também exerce autotranscendência ao rir e viver o encontro, realizando valores de vivência em sua amizade e de atitude em sua despedida digna. Esse posicionamento é ilustrado com o lema de Patch Adams: “alegria é a forma de vida, aprender é a grande meta, amar é o objetivo final”. Assim, o cuidado expande-se para além da dor física, alcançando as capacidades especificamente humanas do paciente.

    Nessa medida, Patch envolve aspectos lúdicos com uma abordagem bem humorada, em que veste fantasias engraçadas e viabiliza momentos de descontração que dialogam com a infância e a história de seus pacientes. Em suas visitas aos leitos, Patch provoca riso em crianças com câncer e pacientes idosos, possibilitando o distanciamento momentâneo da rigidez do diagnóstico. Ao trazer essas experiências, Patch rompe a inflexibilidade e possibilita que o paciente dê risada de eventos cotidianos em meio à sua internação. Acerca disso, Frankl apresenta que o uso do humor consiste em uma ferramenta capaz de criar uma distância entre a pessoa e a situação, sendo o humor uma forma de exercer o autodistanciamento. Desse modo, são mobilizados recursos noéticos, como a criatividade e imaginação, que ajudam a abordar a atitude do paciente perante sua doença e situação, o que é recurso valioso na atuação em saúde. Com Frankl, entende-se que diferentemente das dimensões biológica e psicológica, a dimensão noética não adoece. Assim, a ação do médico que resgata a singularidade do paciente, dá lugar à sua fala e criativamente faz uso do humor em sua atuação, possibilita o exercício do autodistanciamento e o encontro autêntico e orientado ao sentido, sendo um facilitador para os recursos noéticos do paciente, aquilo que há de saúde remanescente no sujeito.

    A partir do estudo, conclui-se que o filme ilustra os conceitos de Frankl sobre o uso do humor, o autodistanciamento e a relação de encontro na perspectiva terapêutica. Evidencia-se que o personagem Patch Adams traz, em sua ação, a ilustração do referencial da Logoterapia, ao revelar em sua prática a capacidade humana de auto distanciar-se por meio do humor e ao defender a relação autêntica e autotranscendente no tratamento médico. Desse modo, as experiências protagonizadas por Patch Adams mostram uma perspectiva integral e multidimensional do cuidado em saúde. Em uma relação de encontro autêntico, aborda-se o homem em sua totalidade, não o sintoma físico isolado. Assim, pelo uso do humor, médico e paciente exercem o autodistanciamento, ao olhar “de fora” para as situações, reconhecendo que a dimensão noética não padece, mas preserva aquilo que há de saudável no homem, independentemente da patologia. 

  • Palavras-chave
  • Logoterapia, Patch Adams, autodistanciamento, humor, encontro.
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)