Feminicídio – Uma Chaga da Sociedade Contemporânea
Feminicídio é definido por uma mulher ser morta em razão de ser mulher. No livro “Macho e Fêmea”, a antropóloga Margaret Mead afirma que, quando nas relações, a mulher é desvalorizada, há algo de muito errado na sociedade, pois metade da humanidade está sendo desconsiderada.
Max Scheler, considerado por Frankl a base filosófica da Logoterapia, afirmava que a “ordo amoris” – a ordem do amor, do coração - devia prevalecer nas relações, pois promove o valor e a dignidade da pessoa e possibilita o acesso a valores superiores. Dizia Scheler: o ser humano deve ser um ens amans - um ser que ama – e não só um ser que pensa ou age,
No feminicídio todas as regras são quebradas: a vida é eliminada, e o princípio do amor, valor maior, é substituído de forma extremada pelos princípios de prazer, poder e agressão.
Necessita-se mudar a cultura, começando-se com as crianças, para que não incorporem conteúdos machistas que levem à violência contra a mulher. “Grupos de Reflexão” são uma das medidas previstas na legislação para que homens violentos revejam seus conceitos e aprendam a não descarregar sua raiva e desvalor na mulher quando não atendidos em seus desejos.
Feminicídio: “Sim à vida, apesar de tudo”- reflexões acerca do caso Alana.
Patricia Damiana da S. Coelho.
Nas 10 teses sobre a pessoa humana, “cada pessoa individual é uma novidade absoluta”, vem ao mundo e revela em si, uma novidade em sua existência. Lembra o valor único de cada vida, que “independe de qualquer utilidade vital e social”, pois a dignidade pertence somente à pessoa.
No tocante ao Feminícidio, crime hediondo, além da dignidade da mulher ser profundamente ferida, quando o autor da violência expressa seu ato, perde-se também toda irrepetibilidade daquela vida no mundo. Conforme Relatório Global da ONU sobre “Feminicídio 2025, 83 mil mulheres e meninas foram mortas intencionalmente em 2024 no mundo, sendo que 50 mil – cerca de 60% – foram assassinadas por parceiros íntimos ou familiares”.
Nesta mesa redonda, pretende-se abordar o caso Alana, sobrevivente de tentativa de feminicídio, que por dizer “não” para namoro, sofre 30 golpes de faca. Diante deste contexto desafiador, como dizer “sim, à vida”, e extrair sentidos no sofrimento?
Apesar desta chaga aberta, a vida continua a convocar o ser humano, e este pode (re)direcionar a vida no caminho do sentido. Porém, através da educação, do afinar a consciência humana, tornar-se possível lembrar ao homem, quem ele é, em sua dignidade, e assim, poder retomar caminhos de esperança!
Feminicídio: Poder, Prazer e Agressão substituindo o amor
Paulo Kroeff
A Logoterapia vê o ser humano como potencialmente bom ou mau, que decide o que manifestar. Não são as circunstâncias os elementos determinantes. Este é um elemento a considerar num feminicídio: a pretensa “justificativa” da agressão porque a mulher decidiu separar-se, devido a restrições de toda ordem, não se submetendo mais a agressões verbais ou físicas. Uma relação que devia ser pautada pelo amor (relação com sentido), passa a ser embasada no prazer, no poder, na agressão (relação sem sentido). No amor, uma manifestação da dimensão noética, o outro é reconhecido em sua dignidade e valor; um desejando o bem e crescimento do outro e a continuidade da relação, pois “O amor quer eternidade, profunda eternidade” (Nietzsche). O amado é visto como um fim em si mesmo, e não como um meio para obter algo.
Um feminicídio, disfarçado de suicídio, por um coronel contra sua esposa, uma soldada, exemplifica relações equivocadas. O coronel pretendia-se “macho-alfa, dominante, provedor” e denominava a mulher “fêmea-beta, submissa”, cobrando-lhe carinho e sexo. Ele demonstrava desejo de exercer poder. Estava estabelecendo uma relação comercial – um teria utilidade para o outro, não a dignidade de uma relação amorosa. A mulher, inconformada, anuncia a separação. Ele a mata.
O feminicídio à luz da Logoterapia: Uma análise existencial do fenômeno humano
Ana Claudia Dufflis
Considera-se feminicídio o assassinato de mulheres em razão de sua condição de gênero, conforme a Lei nº 13.104/2015. No Brasil, em 2025, foram registrados 1.568 casos, um aumento de 4,7% em relação a 2024. Uma tendência de crescimento desse tipo de crime.
À luz da Logoterapia, o feminicídio pode ser compreendido como a incapacidade de reconhecer a mulher como pessoa única, irrepetível, livre e dotada de dignidade incondicional. Comprometido esse reconhecimento, a mulher deixa de ser percebida como alguém com existência própria. É reduzida à condição de objeto, posse ou extensão de si, inviabilizando a possibilidade de um encontro autêntico.
Na busca por sentido, o ser humano vai além de si, na direção de outro para amar. O amor impede que o outro seja reduzido a meio para um fim. Quando essa capacidade é comprometida, pode ser substituída por atitudes de controle e negação da liberdade. Na concepção de Viktor Frankl, o ser humano é orientado pela vontade de sentido. Quando frustrada, emerge o vazio existencial, manifestando-se em agressividade e desumanização. A frustração do sentido também favorece a vontade de poder: o sujeito busca afirmar-se mediante domínio e imposição, configurando violência contra a mulher, como expressão extrema dessa falência existencial.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)