Resumo Geral
A mesa redonda “Intervenções em Saúde Mental Universitária baseadas na Logoterapia: Experiências do Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico (CASA/UFRJ)” propõe uma problematização das formas contemporâneas de sofrimento psicológico no ensino superior, articulando-as às condições institucionais e formativas que impactam a vida universitária. Ancorada na Logoterapia (Frankl, 2008), objetiva-se apresentar e discutir resultados do CASA/UFRJ em sua dimensão clínica, formativa e educacional. As experiências reunidas exploram três eixos complementares: (i) Estratégia clínica para a ação de promoção da saúde mental universitária; (ii) a contribuição do CASA na formação de novos psicólogos a partir da LAE; e (iii) Aspectos da docência universitária, tensionada por lógicas produtivistas e pela precarização do trabalho (Hart & Rodgers, 2024). Ao deslocar o foco de abordagens estritamente tecnicistas para uma compreensão integral do ser humano, a mesa sustenta que a promoção da saúde mental universitária requer a reconfiguração dos modos de cuidado e formação, de modo a reconhecer o sujeito em sua potência existencial, capaz de valores e sentidos. Nesse horizonte, serão apresentados alguns resultados empíricos e reflexões teóricas que sustentam a eficácia da LAE na construção de ambientes universitários promotores de sentido na vida com impactos positivos sobre a saúde mental universitária.
Práticas clínicas Logoterapêuticas no CASA
A crescente demanda por atenção à saúde mental no Ensino Superior motivou a criação do Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico (CASA) na UFRJ. Como ação de pesquisa e intervenção, a iniciativa foca na promoção da saúde e prevenção do suicídio entre estudantes das Escolas Politécnica e de Química. A pesquisa rastreia indicadores de sofrimento e sentido de vida para avaliar os impactos das intervenções. A Equipe Sentidos de Vida, composta por coordenadora, dois psicólogos preceptores e dez estagiários, fundamenta suas práticas na Logoterapia e Análise Existencial (LAE). O serviço oferece três modalidades: psicoterapia breve individual, grupal e plantão psicológico. Diferenciando-se de modelos prolongados, a principal característica do serviço é a brevidade e pontualidade, exigindo maior posicionamento e precisão teórica para abordar as demandas de maneira focal. Na modalidade individual, utiliza-se o Projeto Terapêutico Singular pautado na LAE; na grupal, roteiros temáticos com dinâmicas de grupo que convidam à reflexão existencial. Tais adaptações metodológicas respondem ao contexto institucional e reafirmam o compromisso da LAE com a dignidade humana, ao oferecer suporte ágil e profundo que auxilia o estudante na busca por sentido em meio às crises adaptativas e acadêmicas, promovendo resiliência e saúde no cenário social universitário.
Experiência formativa do psicólogo no contexto da Logoterapia e Análise Existencial
Inserido no contexto acadêmico, o CASA atua na formação de novos psicólogos, com base na Logoterapia, por meio do estágio clínico oferecido no projeto. Neste sentido, este resumo objetiva apresentar um breve relato da experiência no estágio em psicologia no CASA, com foco na promoção da saúde mental e prevenção do suicídio no ensino superior. A inserção nesse campo foi marcada por expectativas próprias do início da atuação clínica, como nervosismo, insegurança e, ao mesmo tempo, entusiasmo diante de um novo horizonte teórico-prático orientado pela Logoterapia. A prática desenvolveu-se em três modalidades de cuidado: atendimentos individuais, grupos e plantão psicológico, articuladas às supervisões clínicas, aos registros em prontuário e à elaboração de projetos terapêuticos singulares. Longe de funcionarem como protocolos rígidos, tais projetos constituem ferramentas orientativas sensíveis à singularidade de cada usuário. Nesse percurso, emergiram desafios importantes, como o manejo diante da neurodiversidade, o diálogo com a psicofarmacologia, a intensificação da responsabilidade clínica e a escuta do universo particular de cada paciente. Sustentada pelo trabalho em equipe, pelas trocas entre colegas e pela supervisão, a experiência favoreceu o desenvolvimento da escuta, do manejo clínico e de práticas psicológicas mais inclusivas e comprometidas com a dignidade humana.
Aspectos psicossociais e formação docente, desafios à dignidade humana
A docência universitária é marcada por tensões estruturais que comprometem a saúde mental dos professores, inseridos em contextos institucionais marcados por produtivismo acadêmico, precarização das relações de trabalho e escassez de suporte psicossocial, os docentes vivenciam níveis elevados de sofrimento psicológico (Mijakoski, 2022). No âmbito da formação docente, esse cenário revela uma contradição fundamental: forma-se para educar, mas negligencia-se a subjetividade de quem educa. A ausência de práticas pedagógicas humanizadoras nos percursos formativos perpetua modelos tecnicistas que não reconhecem o professor como sujeito integral. Desta forma, os recursos pedagógicos e formativos no âmbito universitário distanciam-se do papel de formação integral com impactos para toda a sociedade. À luz da Logoterapia, compreender os aspectos psicossociais e existenciais da docência, exige articular bem-estar subjetivo, sentido de vida e condições institucionais de trabalho. Intervir nessa realidade demanda não apenas políticas de saúde mental, mas uma reconfiguração ética das práticas formativas reconhecendo a docência como experiência de sentido. A garantia da dignidade humana é condição para o desenvolvimento de espaços educativos significativos, que cumpram seu papel de colaborar para o desenvolvimento humano de maneira integral.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)