A presente mesa-redonda tem como objetivo discutir a psicopatologia contemporânea a partir de uma articulação entre Fenomenologia e Logoterapia, buscando superar perspectivas reducionistas na compreensão do sofrimento psíquico. Fundamentada na psiquiatria existencial de Viktor Emil Frankl, a proposta parte de uma concepção de ser humano em sua tridimensionalidade para pensar diferentes manifestações clínicas e fenômenos atuais. Inicialmente, propõe-se a delimitação de uma psicopatologia integralizada, capaz de articular rigor teórico e abertura clínica, evitando tanto o reducionismo quanto o ecletismo acrítico. Em seguida, analisa-se o fenômeno do transtorno do jogo no contexto das “bets” no Brasil, compreendendo-o como expressão contemporânea de sofrimento. Por fim, discute-se o transtorno de personalidade borderline, investigando as contribuições terapêuticas da Logoterapia e Análise Existencial no manejo clínico desse quadro. A mesa busca, assim, integrar teoria e prática a partir da Fenomenologia e da Logoterapia, sustentando uma compreensão antropológica do sofrimento psíquico e contribuindo para a construção de intervenções clínicas mais integradas e humanizadas.
PSIQUIATRIA EXISTENCIAL: UMA LEITURA ANTROPOLÓGICA DA PSICOPATOLOGIA EM VIKTOR FRANKL
Este trabalho tem como objetivo apresentar a psiquiatria existencial de Viktor Frankl, destacando seu fundamento antropológico e suas contribuições para o campo da psicopatologia. Parte-se de uma abordagem analítico-conceitual, por meio da articulação entre Logoterapia e psicopatologia fenomenológica contemporânea. Enquanto a fenomenologia oferece bases epistemológicas e metodológicas para a compreensão da experiência vivida, a Logoterapia contribui para uma concepção de pessoa como unidade na multidimensionalidade. Embora não tenha elaborado uma teoria psicopatológica sistemática nos moldes clássicos, Frankl delineou um esquema abrangente que integra as dimensões biológica, psicológica e espiritual, sem reduzir os transtornos a disfunções isoladas. Sua proposta não concorre com os sistemas diagnósticos, mas oferece uma chave de leitura antropológica fundamental. Assim, a Logoterapia enfatiza a dimensão noética como núcleo saudável e mobilizador da existência; contudo, em determinadas condições, pode ocorrer uma restrição noológica, exigindo a mobilização dos recursos noéticos. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de superar os limites das classificações tradicionais, reafirmando a importância de um olhar clínico integralizador, capaz de formular um diagnóstico que não se restrinja à descrição de sintomas, mas que também evite produzir novos sofrimentos e mobilize, sempre que possível, os recursos noéticos da pessoa em sua dimensão espiritual-existencial.
TRANSTORNO DO JOGO E O FENÔMENO DAS "BETS" NO BRASIL: REFLEXÕES À LUZ DA LOGOTERAPIA E ANÁLISE EXISTENCIAL DE VIKTOR FRANKL
Os jogos de apostas, especialmente no formato das “bets”, têm se propagado no Brasil desde 2019, após leis que flexibilizaram tal prática. Paralelamente a isso, verificou-se o aumento na incidência do transtorno do jogo relacionado à dependência de cassinos online e apostas esportivas, trazendo diversos impactos negativos para os jogadores e seus ciclos sociais. Nesse contexto, o presente trabalho pretende analisar as contribuições antropológicas e psicoterapêuticas de Viktor E. Frankl na compreensão do fenômeno do transtorno do jogo em decorrência da popularização das bets. Para tal, foi realizado um levantamento bibliográfico com caráter qualitativo. Constatou-se que a análise existencial de Frankl, ao dedicar-se principalmente a dimensão espiritual (noética), interpreta o vício em apostas como uma expressão do vazio existencial e uma tentativa compensatória de preencher tal falta com prazer e meios de alcançar a autorrealização, especialmente no que tange a pessoas mais vulneráveis. Assim, esse aporte teórico não apenas se mostrou suficiente para compreender tal fenômeno na esfera subjetiva dos sujeitos e coletiva da sociedade, como também, através da logoterapia, atuar na prevenção da população e reabilitação dos jogadores.
POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES TERAPÊUTICAS DA LOGOTERAPIA E ANÁLISE EXISTENCIAL NO TRATAMENTO DO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE (TPB)
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição multifacetada que tem gerado discussões e desafios em diversos campos acadêmicos devido à sua complexidade diagnóstica e terapêutica. Devido à sua relevância, o presente trabalho teve como objetivo investigar as possíveis implicações terapêuticas da Logoterapia e Análise Existencial no tratamento do TPB. Para tanto, o estudo desenvolveu uma abordagem qualitativa de caráter exploratória e descritiva, buscando compreender os impactos desta teoria no tratamento do TPB e na identificação de intervenções e práticas clínicas psicoterápicas. Assim, foi utilizada uma revisão bibliográfica para coleta de dados, e abarcou produções contemporâneas e fundamentais relacionadas à temática. Em relação à problemática sobre como a Logoterapia e Análise Existencial pode contribuir para o manejo terapêutico de pessoas com TPB, foi constatado que sua proposta favorece a superação de reducionismos neurocognitivistas ao abarcar a dimensão existencial-espiritual na compreensão do ser humano, o que confere potencial terapêutico e uma prática psicoterápica humanizadora. Embora tenha evidenciado um corpo teórico robusto, os limites da Logoterapia e Análise Existencial se encontraram na falta de evidências empíricas que comprovam resultados verificáveis e consistentes de sua aplicação no contexto psicoterapêutico do TPB.
O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.
Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.
Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.
Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.
Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.
Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.
Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)
Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE).
O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.
Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.
Áreas temáticas:
Psicologia
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:
Pesquisa empírica: trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais: trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:
Português
Espanhol
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6
Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2
Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6
O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada.
Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima
Comissão Científica
Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)