O Modelo Integrativo M-5: uma proposta contemporânea para a prática da Logoterapia e Análise Existencial

  • Autor
  • Élison Silva Santos
  • Resumo
  • Desde sua formulação por Viktor Frankl, a Logoterapia e Análise Existencial consolidou-se como uma abordagem psicoterapêutica centrada na liberdade, responsabilidade e busca de sentido. Ao longo das últimas décadas, entretanto, o crescente desenvolvimento das psicoterapias baseadas em evidências e dos modelos contemporâneos de compreensão do sofrimento psíquico trouxe novos desafios à prática clínica, evidenciando a necessidade de sistematizações que preservem os fundamentos antropológicos da Logoterapia enquanto dialogam com os avanços da psicologia clínica contemporânea.

    Este trabalho apresenta o Modelo Integrativo M-5, uma proposta de sistematização da prática clínica fundamentada na Logoterapia e Análise Existencial que organiza o processo terapêutico em cinco etapas complementares: (1) Recepção Diferenciada, voltada ao estabelecimento de uma compreensão fenomenológica do sofrimento e da singularidade da pessoa; (2) Valores e Responsabilidades Centrais, que identifica recursos existenciais, valores e compromissos capazes de sustentar a permanência diante do sofrimento; (3) Ampliação de Perspectivas, Cosmovisão, favorecendo a flexibilização cognitiva e existencial frente às possibilidades de escolha; (4) Navegação das Tensões Existenciais e da Ambivalência pela Vida, que reconhece o sofrimento como parte constitutiva da existência e auxilia o paciente a dialogar com seus conflitos sem reduzir sua liberdade interior; e (5) Redescoberta do Propósito e da Agência, etapa voltada à reconstrução do sentido, da responsabilidade e da capacidade de ação diante da própria vida.

    O modelo foi originalmente desenvolvido no contexto da prevenção do suicídio e posteriormente publicado em periódico internacional revisado por pares. Contudo, sua estrutura transcende esse contexto específico, constituindo uma proposta de organização da prática clínica logoterapêutica aplicável a diferentes formas de sofrimento existencial. Em vez de substituir os fundamentos da Logoterapia, o M-5 busca sistematizá-los de forma operacional, articulando conceitos centrais da obra de Frankl, como vontade de sentido, autotranscendência, liberdade da vontade, responsabilidade e valores, com contribuições empiricamente fundamentadas provenientes da psicologia clínica contemporânea, sempre preservando a primazia da antropologia existencial frankliana.

    Trata-se de um estudo teórico-conceitual fundamentado na literatura da Logoterapia, na experiência clínica do autor e na integração crítica com modelos contemporâneos de psicoterapia. Discute-se como essa sistematização pode contribuir para tornar a prática clínica mais estruturada, comunicável e passível de investigação científica, favorecendo tanto a formação de novos terapeutas quanto o diálogo interdisciplinar da Logoterapia com outras abordagens baseadas em evidências.

    Conclui-se que o Modelo Integrativo M-5 representa uma proposta contemporânea para a prática da Logoterapia e Análise Existencial, preservando sua identidade filosófica e antropológica ao mesmo tempo em que amplia suas possibilidades de aplicação clínica e de inserção no cenário científico internacional.

  • Palavras-chave
  • Logoterapia, Análise Existencial, Prática Clínica, Sentido da Vida, Modelo Integrativo M-5
  • Área Temática
  • Psicologia
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O XIII Congresso Brasileiro de Logoterapia e Análise Existencial (CBLAE 2026) ocorreu entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026 na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), em Feira de Santana, na Bahia.

Com o tema central “Sentido na Vida e Dignidade Humana”, o congresso ofereceu quatro dias de uma intensa programação dedicada ao estudo, à atualização e à difusão do legado de Viktor Frankl. Foram realizados minicursos de pré-congresso, conferências, outorga do Prêmio Viktor Frankl, apresentações de trabalhos científicos, e mesas-redondas.

Promovido bianualmente, o CBLAE agrega pessoas interessadas na visão frankliana. É o evento de maior relevância nacional da área, constituindo um espaço privilegiado para o encontro e o diálogo entre representantes da academia, da clínica psicológica, da educação e diferentes campos da saúde. A programação favoreceu a discussão sobre temas contemporâneos relacionados à pesquisa, à inovação e às aplicações da Logoterapia no Brasil e no mundo.

Viktor Frankl legou os fundamentos da Logoterapia e Análise Existencial e, ao mesmo tempo, convocou as gerações futuras para continuar este legado. Ele não considerava seus conceitos como um sistema fechado, mas como um saber aberto e dinâmico, a ser constantemente estudado, aprofundado e atualizado. Em sintonia com essa perspectiva a ABLAE e o CBLAE entende que esta é uma missão desta geração de logoterapeutas.

Os Anais do CBLAE 2026 reúnem 73 trabalhos, apresentados oralmente em salas paralelas na tarde do dia 28/08 e na manhã do dia 29/08. Foram momentos de discussões frutíferas entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais da psicologia, enfermagem, educação, filosofia e outras áreas do conhecimento.

Prezados estudiosos da Logoterapia e Análise Existencial aqui está a apresentação dos resumos dos trabalhos orais apresentados. São textos que expandem a compreensão entendimento dos pensamentos franklianos. Desejamos que seja uma leitura profícua, desperte novas reflexões e favoreça o diálogo entre leitores e autores, ampliando o entendimento e o desenvolvimento da abordagem que tem como centro o sentido na vida.

Prof. Dr. Flávio Luiz Honorato da Silva
(Coordenador da Comissão Científica do CBLAE 2026)

Os resumos de trabalhos deverão ter como fundamento básico a Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl (LAE). 

O texto do resumo deve ser colado no formulário e conter de 300 a 800 palavras. Não é necessário citar referências.

Todos os trabalhos serão apresentados oralmente e de modo presencial e posteriormente publicados nos anais. Haverá premiação dos melhores trabalhos.

Áreas temáticas:

Psicologia 
Educação
Enfermagem
Saúde
Ciências da Religião
Filosofia
Outras áreas
Categoria:

Pesquisa empírica:  trabalhos que apresentam resultados obtidos a partir de coleta e análise sistemática de dados (quantativos e/ou qualitativos), com método explicitado. Exemplos de metodologias comuns: estudo transversal (survey/questionário/entrevista), estudo longitudinal, estudo quase-experimental, estudo correlacional, validação/adaptação de instrumentos, estudo qualitativo (fenomenologia, análise temática, teoria fundamentada, etnografia), métodos mistos, etc.
Relato de experiência e práticas profissionais:  trabalhos que descrevem e analisam criticamente uma prática, intervenção, projeto ou ação profissional (clínica, educação, saúde, assistência, organizações etc.), destacando contexto, tomada de decisão e aprendizados. Exemplos de metodologias comuns: relato técnico fundamentado, pesquisa-ação, avaliação de processo, avaliação de programa/intervenção (com indicadores simples), triangulação de registros (diários de campo, observação, feedback de participantes).
Trabalho teórico-conceitual: trabalhos voltados ao aprofundamento teórico, discussão conceitual e elaboração de argumentos com base em literatura pertinente, podendo articular Logoterapia/Análise Existencial com temas e campos correlatos. Exemplos de metodologias comuns: ensaio teórico, análise conceitual, revisão de literatura (narrativa, integrativa, escopo), abordagens hermenêuticas/interpretativas de textos (quando cabível), comparação de modelos teóricos.
Produtos, tecnologias e inovação: propostas que apresentam um produto/solução aplicável (material, protocolo, instrumento, roteiro, recurso educativo), com descrição do desenvolvimento, fundamentação e uso potencial. Exemplos de metodologias comuns: prototipagem e iteração, validação de conteúdo, estudo piloto, avaliação de usabilidade/aceitabilidade, avaliação preliminar de efetividade (pré–pós, feedback estruturado).
Idioma da Submissão:

Português
Espanhol 
Máximo de autores (e co-autores) por trabalho: 6

Máximo de trabalhos permitidos por autor: 2

Máximo de trabalhos permitidos por co-autor: 6

O primeiro autor deve estar inscrito no evento e conferir a confirmação de submissão em seu email. Caso não receba a confirmação, a submissão pode não ter sido realizada. 

Coordenação Geral
David Moises Barreto dos Santos (presidente)
Vinicius Cerqueira Bastos dos Santos
Adriana Braitt Lima

Comissão Científica

Flávio Luiz Honorato da Silva (UFPB) - coordenador
Alisson de Meneses Pontes (UNILIFE)
Benedito Guilherme Falcão Farias (ALVEF)
David Moises Barreto dos Santos (UEFS)
Diogo Arnaldo Corrêa (UMC)
Elaine Custódio Rodrigues Gusmão (UFCG)
Flávia Neves Ferreira (UEPB)
Francisca Pereira da Cruz Zubicueta (UFMA)
Francisco Carlos Gomes dos Santos (AGIR3)
Gilvan de Melo Santos (UEPB)
Hermilia Feitosa Junqueira Ayres (UFCG)
Karen Guedes Oliveira (UFPB)
Katia Vanessa Pinto de Meneses (UnB)
Lisieux D'Jesus Luzia de Araújo Rocha (FCC)
Lorena Bandeira Melo de Sá (UNINASSAU)
Lílian Perdigão Caixêta Reis (UFV)
Marcos Vinicius da Costa Meireles (IFG)
Maria Helena Budal da Silva (Escola de Logoterapia)
Paulo Kroeff (UFRGS)
Rouseane da Silva Paula Queiroz (UERN)
Sandrelena da Silva Monteiro (UFJF)
Sarah Xavier Vasconcelos de Fialho Rodrigues (UNILIFE)
Sheila Maria Hesketh Rabuske (ALVEF)
Silvania Rita Ramos (SOBRAL)
Simone Guedes Alves Gomes dos Santos (AGIR3)
Solange Santos de Freitas (Núcleo Mineiro de Logoterapia)
Tatiana Oliveira de Carvalho (TJMA)
Vinícius Cerqueira Bastos dos Santos (UEFS)