Introdução: A amputação é a retirada parcial ou total de um membro, por cirurgia ou trauma. As amputações hospitalares configuram procedimentos cirúrgicos complexos, geralmente indicados em casos de isquemia crítica, infecções graves ou complicações de doenças autoimunes, sobretudo Diabetes Mellitus. Elas são um importante indicador de qualidade da atenção à saúde e de medidas preventivas. Objetivo: Descrever a tendência temporal e a distribuição regional das amputações hospitalares de membros inferiores registradas no Brasil entre 2020 e 2024. Métodos: Estudo ecológico, retrospectivo e descritivo com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), obtidos via DATASUS. Foram incluídas todas as internações hospitalares, com seleção por código SIGTAP (0408050012) relacionado a procedimentos cirúrgicos de amputações de membros inferiores. As variáveis avaliadas foram: ano de processamento, região de processamento e taxa de mortalidade. As estimativas populacionais por Região utilizadas para o cálculo das taxas foram extraídas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram analisados segundo frequência absoluta e relativa. A taxa de amputações foi calculada com base no número de procedimentos realizados por 1.000.000 (Mi) de habitantes, considerando a população residente em cada ano e região analisada. Resultados: Durante o período estudado foram registradas 150.142 internações hospitalares com amputações de membros inferiores, com pico em 2023 (31.198; n=20,77%). Estas amputações resultaram em 17.208 mortes (letalidade de 11,4%). De forma geral, nas diferentes regiões, observou-se uma tendência de aumento das taxas de amputação entre 2020 e 2024. A região com maior prevalência de amputações foi a Nordeste, apresentando taxa média anual de amputações de 17,58/Mi hab, enquanto a menor prevalência ocorreu na região Norte (9,30/Mi hab). No Brasil, a taxa de mortalidade média ao longo dos 5 anos foi de 11,49%, com valores semelhantes entre as 5 regiões. Para a mortalidade, a tendência temporal foi decrescente. Conclusão: Com base nos resultados obtidos, conclui-se que a prevalência de amputações de membros inferiores tem aumentado ao longo dos últimos 5 anos no Brasil, com diferenças regionais marcantes, porém, a mortalidade em decorrência desse agravo tem diminuído sistematicamente.
Comissão Organizadora
Comunic Eventos
Aldemar Araujo Castro
Comissão Científica