Contexto: O filtro de veia cava inferior (FVCI) é um dispositivo endovascular indicado para a prevenção de embolia pulmonar em pacientes com trombose venosa profunda que apresentam contraindicação ao uso de anticoagulantes ou risco aumentado de embolização. A trombofilia, condição genética ou adquirida que predispõe à hipercoagulabilidade, é fator de risco relevante para eventos tromboembólicos, demandando estratégias profiláticas adequadas. No Brasil, há escassez de dados regionais sobre o uso de FVCI, especialmente em estados do Nordeste como Alagoas. Hipótese: Espera-se que a implantação de FVCI contribua como medida profilática para o tromboembolismo venoso em portadores de trombofilia em Alagoas nos últimos cinco anos. Objetivo: Analisar quantitativamente os procedimentos para implantação de FVCI em Alagoas nos últimos cinco anos, como medida profilática para o tromboembolismo venoso em portadores de trombofilia. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e descritivo de base populacional, desenvolvido a partir de dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram incluídas todas as internações hospitalares registradas no estado de Alagoas, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2024, relacionadas ao procedimento “colocação percutânea de filtro de veia cava inferior”. Os dados foram extraídos do sistema DATASUS/TabNet, sendo as variáveis analisadas o ano de internação e o número total de procedimentos. A análise estatística foi descritiva, com cálculo de médias e variação percentual anual. Resultados: No período analisado, foram registradas 53 internações, com média anual de 10,6 procedimentos. A maior frequência ocorreu em 2020 (17 casos) e a menor em 2021 (7 casos), seguida de discreta recuperação em 2022 (9 casos), 2023 (11 casos) e 2024 (9 casos). Observou-se redução de 58,8% entre 2020 e 2021, possivelmente associada à pandemia de COVID-19 e à consequente redução de procedimentos eletivos, com posterior estabilização nos anos subsequentes. A prevalência de trombofilias hereditárias na população brasileira, estimada entre 3% e 8% para mutações como o Fator V de Leiden e a Protrombina G20210A (FONTES DE OLIVEIRA et al, 2023), reforça a importância do rastreio e da profilaxia direcionada. Esses achados sugerem que, embora o uso do FVCI em Alagoas permaneça baixo, há manutenção de sua aplicação como medida terapêutica em casos selecionados. Conclusão: Evidenciou-se uma frequência reduzida, porém constante, nos procedimentos de implantação de filtro de veia cava inferior em Alagoas nos últimos cinco anos.
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