Introdução: O pé diabético é uma das complicações mais graves do Diabetes Mellitus (DM) e representa uma das principais causas de amputações não traumáticas em membros inferiores. O manejo dessa condição exige uma abordagem integral e interprofissional, com ações preventivas, educação em saúde e uso de tecnologias. Assim, o Projeto de Extensão “Além da Superfície”, desenvolvido na Casa Fecha Feridas Prof. Isaac Soares de Lima, da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), busca fortalecer a formação acadêmica e o cuidado humanizado na saúde vascular. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de estudantes de Enfermagem no cuidado integral do pé diabético, visando reduzir complicações e amputações. Desenvolvimento da experiência: A experiência ocorreu no ano de 2025, na Casa Fecha Feridas, espaço multiprofissional destinado ao tratamento de lesões complexas. Participaram estudantes de Enfermagem sob supervisão docente e em articulação com discentes e profissionais da área da saúde. As atividades incluíram ações educativas em salas de espera, abordando estilo de vida, como alimentação e atividade física, voltadas à prevenção de complicações vasculares. Em relação à atuação da enfermagem no tratamento e fechamento de feridas, foram aprendidas técnicas de curativos avançados com o uso de soro fisiológico, gaze estéril, alginatos, hidrocoloides e cremes barreira, conforme a evolução da ferida. Também foram aplicadas técnicas de desbridamento autolítico com hidrogel e instrumental com bisturi em tecidos necróticos e para melhora do retorno venoso, a montagem de botas de Unna e o uso da máquina RA Godoy, essa última, em parceria com a fisioterapia. Foram acompanhadas avaliações vasculares do Dr. Guilherme Pitta, médico vascular responsável pela unidade para detecção de sinais e tratamento de insuficiência vascular. A integração com a radiologia permitiu o uso da plantigrafia na identificação de áreas de maior pressão plantar e de neuropatia diabética, orientando planos de cuidado e recomendações para calçados que juntamente com o podólogo, constitui a avaliação da circulação periférica de membros inferiores. Entre os desafios enfrentados, destacaram-se a limitação de recursos materiais e a necessidade de maior adesão dos pacientes às mudanças de hábitos de vida. Resultados e lições aprendidas: A vivência possibilitou o desenvolvimento de competências técnicas e relacionais, fortalecendo o olhar humanizado sobre o cuidado vascular. Observou-se crescente adesão dos pacientes às orientações, maior compreensão sobre riscos de ulceração e valorização interprofissional. Identificou-se a necessidade de ampliar o tempo destinado às atividades para acompanhamento das evoluções clínicas. Conclusão: O Projeto de Extensão “Além da Superfície” consolidou-se como uma experiência transformadora, promovendo a integração ensino–serviço–comunidade e o cuidado integral do pé diabético. A atuação da enfermagem demonstrou-se essencial para a promoção da saúde vascular, fechamento de feridas e prevenção de amputações, reforçando a importância da extensão universitária na formação de profissionais capacitados.
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Aldemar Araujo Castro
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