Relação entre Idade, Procedência e Acesso ao Cuidado Especializado em Feridas Complexas

  • Autor
  • Francisco Monteiro Pinheiro
  • Co-autores
  • VINCIUS ALMEIDA GRIZ
  • Resumo
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    Feridas complexas, incluindo úlceras venosas, diabéticas e por pressão, configuram importante desafio à saúde pública, implicando altos custos hospitalares e expressivo impacto na qualidade de vida dos pacientes. No contexto brasileiro, marcado por significativas desigualdades regionais, a equidade no acesso aos serviços de saúde especializados constitui princípio constitucional; contudo, barreiras geográficas e etárias frequentemente limitam a efetivação desse direito. Hipotetiza-se que pacientes idosos e aqueles provenientes de áreas rurais ou periféricas enfrentem maiores obstáculos de acesso ao cuidado especializado em feridas complexas. Diante disso, objetivou-se caracterizar o perfil sociodemográfico e analisar indicadores de acesso ao cuidado especializado em feridas complexas, com foco na influência da idade e da procedência como determinantes críticos de equidade em saúde. Realizou-se um estudo transversal, analítico e retrospectivo em ambulatório de referência localizado em Maceió-AL. Por se tratar de estudo censitário, não se realizou cálculo amostral, incluindo-se todos os pacientes atendidos no período definido. Incluíram-se todos os prontuários completos de pacientes atendidos consecutivamente entre julho e setembro de 2025, totalizando 867 registros válidos, e excluíram-se aqueles com dados incompletos ou inconsistentes. Coletaram-se os dados retrospectivamente em prontuários eletrônicos por meio de sistema informatizado, utilizando-se formulário padronizado previamente testado. Analisaram-se as variáveis idade (considerada variável primária), sexo, procedência detalhada por bairro e município, e meio de transporte utilizado para chegada ao serviço. A análise estatística empregou métodos descritivos, com cálculo de frequências absolutas e relativas, o que permitiu a caracterização detalhada da amostra. Nos resultados, observou-se nítido predomínio de pacientes idosos, com 56,1% (n=486) na faixa etária acima de 59 anos, e discreta maioria do sexo masculino (56,6%, n=491). A distribuição geográfica revelou concentração em áreas urbanas (99,4% dos casos), com apenas 0,6% (n=5) de pacientes originários de zonas rurais, e destacaram-se os bairros Jacintinho (9,3%) e Trapiche (8,8%) como os de maior demanda. Quanto ao acesso, constatou-se dependência quase total do transporte próprio, utilizado por 93,7% (n=812) dos indivíduos, enquanto o transporte municipal foi acionado em apenas 5,3% (n=46) das situações. Esses achados sugerem acentuada desigualdade de acesso para populações rurais e periféricas, refletindo barreiras logísticas e socioeconômicas. Conclui-se que há predominância de pacientes idosos urbanos e gritante sub-representação de residentes rurais no serviço especializado, o que aponta barreiras geográficas e estruturais ao cuidado especializado. Recomenda-se, portanto, o fortalecimento de políticas públicas de interiorização da assistência e a implementação de sistemas de transporte assistido como estratégias fundamentais para promoção da equidade em saúde.

     

  • Palavras-chave
  • Feridas Complexas; Acesso aos Serviços de Saúde; Equidade em Saúde.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • Resumos de pesquisa primárias
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