1. Introdução.
1.1. Contexto. A Isquemia Crítica Crônica de Membros Inferiores (ICMI) é a forma mais grave da Doença Arterial Periférica, associada a dor em repouso, ulceração, gangrena e elevadas taxas de amputação e mortalidade. A revascularização é a principal estratégia terapêutica, mas os resultados variam conforme a gravidade e as comorbidades. Ensaios como BEST-CLI e BASIL-2 mostraram resultados divergentes entre abordagens cirúrgicas e endovasculares, o que reforça a importância de investigar desfechos em curto prazo.
1.2. Hipótese A frequência de óbitos e/ou amputações em seis meses em pacientes com ICMI submetidos à revascularização é de 25%.
1.3. Objetivo. Determinar a frequência de óbitos e/ou amputações em seis meses em pacientes com ICMI submetidos à revascularização de membro inferior. Métodos CEP: Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNCISAL (CAAE: 80333824.8.0000.5011, parecer nº 6.965.070). Por se tratar de estudo retrospectivo com prontuários eletrônicos, houve dispensa do TCLE.
2. Métodos.
2.1. Tipo de estudo. Observacional retrospectivo.
2.2. Local. Hospital Memorial Arthur Ramos, Maceió–AL.
2.3. Amostra. Amostra não probabilística com 200 pacientes atendidos entre dezembro/2018 e junho/2024, sendo 100 com ICMI e 100 sem ICMI. Critérios de exclusão: idade <18 anos, doença terminal e contraindicações médicas.
2.4. Procedimentos. Coleta padronizada de dados de prontuários, com registro de revascularizações (angioplastia transluminal percutânea – ATP – com ou sem stent/aterectomia) e amputações.
2.5. Variáveis Primária: ocorrência de óbitos e/ou amputações em até seis meses. Secundárias: internação em UTI, reinternações, nova angioplastia, idade, sexo e comorbidades.
2.6. Método estatístico. Tamanho amostral calculado conforme Lwanga (100 por grupo). Análises descritivas com IC 95% e teste do qui-quadrado, p<0,05, utilizando GraphPad Instat®.
3. Resultados.
3.1. Desvios da pesquisa. Limitações: caráter retrospectivo, ausência de alguns dados clínicos e acompanhamento restrito a seis meses.
3.2. Características da amostra. Predomínio masculino (63%) e média de idade de 69,4 anos. Principais comorbidades: hipertensão (82%) e diabetes (80%).
3.3. Resultado das variáveis. No grupo com ICMI ocorreram 29 amputações (8 maiores, 6 combinadas, 15 menores) e 6 óbitos. No grupo sem ICMI, 1 amputação menor e 3 óbitos. Técnicas endovasculares predominaram. Reinternações foram mais frequentes no grupo ICMI (47% vs. 20%), assim como nova angioplastia (29% vs. 8%). A frequência global de óbitos e/ou amputações em seis meses foi de 36% no grupo ICMI.
4. Conclusão. Pacientes com ICMI submetidos à revascularização apresentaram piores desfechos em curto prazo, com maiores taxas de amputação, reinternação e mortalidade. Os resultados reforçam a gravidade da ICMI e a necessidade de acompanhamento intensivo e abordagem multidisciplinar para redução de complicações e melhora do prognóstico.
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