Introdução: A doença renal crônica representa um crescente desafio de saúde pública, exigindo estratégias eficazes de manejo em terapia renal substitutiva. A fístula arteriovenosa permanece como o principal acesso vascular para hemodiálise, por sua durabilidade e menor risco de infecção. O impacto da pandemia da COVID-19 determinou mudanças no perfil de confecções e complicações desses acessos. Hipótese: Estima-se que a pandemia da COVID-19 impactou programas de hemodiálise no município de Maceió entre 2019 a 2023, alterando as confecções das fístulas arteriovenosas e suas complicações. Objetivo: Analisar o impacto da pandemia da COVID-19 em programas de hemodiálise no município de Maceió entre 2019 a 2023. Metodologia: Utilizou-se o método ecológico, descritivo e retrospectivo, com dados públicos coletados na plataforma TABNET do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os dados sobre os procedimentos de "Confecção de fístula arteriovenosa" e "Intervenção em fístula arteriovenosa" foram extraídos da Produção Ambulatorial (SIA/SUS), por "local de atendimento" (Maceió). As sessões de hemodiálise foram usadas para estimar a população anual de pacientes. Todas as coletas abrangeram o período de 2019 a 2023. A análise dos dados foi descritiva, baseada na frequência absoluta, no cálculo das taxas de procedimentos por 100 pacientes e na observação da tendência temporal. Resultados: Os dados analisados demonstraram que, de 2019 a 2023, foram realizadas 1.941 confecções de fístulas arteriovenosas (FAVs) e 146 intervenções por complicações em Maceió. Para permitir uma análise comparativa fidedigna, as taxas foram calculadas por 100 pacientes, com base nas sessões anuais de hemodiálise. A série histórica da taxa de confecção de novas fístulas iniciou com 43,68 em 2019 e teve seu pico em 2020 com 46,82. Nos anos subsequentes, apresentou queda contínua: 40,90 (2021), 38,35 (2022) e 36,83 (2023). O comportamento da taxa de intervenções por complicações foi inverso. Após se manter em patamar baixo em 2019 (1,37) e 2020 (1,53), houve aumento expressivo para 3,81 em 2021. Este novo patamar elevado se consolidou, registrando 4,20 (2022) e atingindo um pico em 2023 com 4,25. O estudo demonstrou também que, no período da pandemia da COVID-19, ocorreu uma redução na criação de novos acessos e um aumento, em torno de 210%, nas complicações que exigiram intervenções. Conclusão: Evidenciou-se que no período da pandemia COVID-19 ocorreu uma mudança no perfil de confecção de fístulas arteriovenosas e suas complicações em programas de hemodiálise em Maceió.
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