Contexto: O aneurisma de aorta abdominal (AAA), especialmente em sua forma infra-renal, representa uma condição grave, caracterizada pela dilatação progressiva da aorta, com alto risco de ruptura e elevada mortalidade. O avanço das técnicas endovasculares (EVAR) revolucionou o tratamento, oferecendo alternativa menos invasiva em relação à cirurgia aberta (OSR). Contudo, ainda há debates sobre a durabilidade do EVAR e a necessidade de reintervenções, o que mantém a comparação entre as duas abordagens como tema de relevância clínica. Hipótese: Espera-se que o tratamento endovascular do AAA infra-renal apresente resultados mais favoráveis que a cirurgia aberta. Objetivo: Comparar a tecnica cirúrgica do tratamento endovascular do aneurisma de aorta abdominal infra-renal em relação à cirurgia aberta. Metodologia: Realizou-se revisão integrativa da literatura nas bases PubMed, Embase e Google Scholar, abrangendo publicações entre 2023 e 2025. Incluíram-se ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais pareados por escore de propensão e metanálises que comparavam diretamente EVAR e OSR, avaliando mortalidade, complicações e reintervenções. Para reduzir o viés da indicação preferencial do EVAR em pacientes mais idosos, priorizaram-se estudos com ajuste por idade e comorbidades ou grupos com características clínicas semelhantes. Resultados: As amostras variaram de 232 a 26.859 pacientes, em sua maioria homens acima de 65 anos. Os submetidos ao EVAR eram geralmente mais idosos e com maior risco cirúrgico. O EVAR apresentou menor tempo operatório, menor perda sanguínea e internação mais curta (4–6 dias) em comparação à OSR (7–11 dias). A mortalidade em 30 dias foi inferior no EVAR (0,9–2,9%) frente à OSR (3,4–9%), confirmando vantagem imediata. Entretanto, após o primeiro ano, observou-se reversão na sobrevida, favorecendo a cirurgia aberta, que demonstrou menor taxa de reintervenções e maior durabilidade anatômica. O EVAR esteve associado a complicações específicas, como endoleaks (14–30%) e migração de stents, enquanto a OSR apresentou hérnias incisionais e complicações de laparotomia (~8%). Em aneurismas inflamatórios ou associados ao IgG4, a cirurgia aberta mostrou melhor controle da fibrose e da inflamação periaórtica. Conclusão: Constatou-se que a técnica cirúrgica de reparo endovascular para tratamento do aneurisma de aorta abdominal infra-renal configura alternativa mais segura e eficaz, enquanto a cirurgia aberta mantém-se superior em durabilidade e controle anatômico.
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