Introdução: A dengue, arbovirose de maior impacto no Brasil, é uma infecção cujo agravamento está ligado à disfunção endotelial sistêmica e trombocitopenia. Além de suas manifestações hemorrágicas clássicas, levanta-se a hipótese de que essa desregulação vascular possa precipitar outros eventos agudos, como os acidentes vasculares cerebrais. Investigar a magnitude dessa associação em nível populacional é fundamental para a saúde pública. Hipótese: Espera-se que os períodos de maior incidência de dengue estejam correlacionados a um aumento no número de internações por eventos vasculares agudos em Alagoas entre 2015 a 2020. Objetivo: Correlacionar a incidência de dengue com internações por eventos vasculares agudos em Alagoas, no período de 2015 a 2020. Metodologia: Utilizou-se o método ecológico, descritivo e retrospectivo, com dados públicos coletados na plataforma TABNET do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os casos de dengue em Alagoas foram obtidos do SINAN, por "Ano de Notificação". As internações foram extraídas do SIH/SUS, na seção "Morbidade Hospitalar", selecionando-se os descritores "Hemorragia intracraniana" e "Acidente vascular cerebral não especificado hemorrágico ou isquêmico" por "Ano de processamento". Ambas as coletas abrangeram o período de 2015 a 2020. A associação estatística entre as séries anuais foi avaliada pelo teste de Correlação de Pearson, adotando-se um nível de significância de p < 0,05. Resultados: Os dados analisados demonstraram que, de 2015 a 2020, Alagoas registrou 75.434 casos de dengue e 15.569 internações por "Hemorragia intracraniana" e "Acidente vascular cerebral não especificado hemorrágico ou isquêmico". A série histórica da dengue revelou comportamento epidêmico variável: iniciou com um pico de 27.231 casos em 2015 e 19.587 em 2016. Houve queda expressiva em 2017 (2.937) e 2018 (2.213), mas um novo pico ocorreu em 2019 (21.043), encerrando com 2.419 casos em 2020. Quanto às internações, o maior número ocorreu em 2016 (3.063), seguido por 2015 (2.974). Diferente da dengue, os anos subsequentes apresentaram queda contínua: 2.737 internações em 2017, 2.649 em 2018, 2.541 em 2019, e 1.605 em 2020. A correlação temporal foi inconsistente. Embora os picos de internações (2015-2016) tenham coincidido com o primeiro período de alta da dengue, o segundo pico epidêmico da doença em 2019 (21.043 casos) não gerou aumento correspondente nas hospitalizações (2.541). Conclusão: Evidenciou-se que não ocorreu uma correlação consistentemente confirmada entre a dengue e as internações por eventos vasculares agudos em Alagoas no período analisado entre 2015 a 2020.
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