A doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) e infecções oportunistas são causas relevantes de morbimortalidade após o transplante alogênico de células hematopoiéticas (alo-TCH), sendo essencial o diagnóstico diferencial. O objetivo deste trabalho é relatar um caso de infecção por citomegalovírus (CMV) sobrepondo DECH, sem detecção em sangue. LGM, 3 anos, submetida ao alo-TCH por osteoporose, de doador não aparentado (CMV IgG negativo) para receptora positiva. No D+23, apresentou DECH agudo de pele, sobreposto com a forma crônica (pele, boca e TGI), tratada com metilprednisolona, ciclosporina A, imunoglobulina e ruxolitinibe. No D+138, houve reativação de CMV em plasma, sendo iniciado ganciclovir. No D+159, houve negativação e suspensão do antiviral. No D+ 187 a paciente foi internada por piora importante das lesões em cavidade oral, diarreia, inapetência, desidratação, intenso eritema em mucosa oral, múltiplas lesões ulceradas, sangrantes, em língua, assoalho de boca, mucosa jugal e palato. O raspado e biópsia confirmaram DECH crônico e mucosite; a PCR do raspado foi positiva para CMV, com sangue negativo. Ganciclovir foi reiniciado, com melhora clínica importante em 48h. O caso destaca a importância do diagnóstico diferencial e da possibilidade de infecção por CMV com manifestações orais, mesmo sem positividade em plasma.
Comissão Organizadora
Mauro Piragibe Jr
Frederico de Campos Pires
Victor Lembo
Guilherme
Comissão Científica
Armando Hayassy