Em 2024, a Organização Mundial da Saúde estima cerca de 1,5 milhão de novos casos de câncer de cabeça e pescoço. A radioterapia é amplamente indicada como parte do tratamento desses tumores localmente avançados. Estima-se que o limite de tolerância das glândulas salivares à radiação seja de aproximadamente 26 Gray, e estudos apontam que doses superiores podem causar alterações funcionais irreversíveis, levando à hipossalivação. A xerostomia é uma das principais sequelas dessa hipofunção induzida pela radioterapia. Diversas terapêuticas têm sido descritas com o objetivo de poupar as glândulas salivares dessas sequelas radioterápicas, sendo uma delas a transferência cirúrgica da glândula submandibular. Foi realizada uma revisão bibliográfica com o objetivo de avaliar a indicação da técnica cirúrgica e os resultados obtidos com a preservação dessa glândula. Das técnicas identificadas, a de Seikaly e Jha e suas modificações demonstraram eficácia na preservação da glândula submandibular, redução da dose de radiação recebida e uma importante diminuição na frequência e intensidade da xerostomia, contribuindo para a qualidade de vida e a continuidade da radioterapia. Contudo, a viabilidade do procedimento depende de fatores como a localização, o grau de evolução do tumor e a expertise do cirurgião-dentista. Os autores ressaltam a necessidade de mais estudos para validar os achados.
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Mauro Piragibe Jr
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Guilherme
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Armando Hayassy