INTRODUÇÃO:
Sabe-se que os povos indígenas possuem muitos indicadores de qualidade de vida menores que a média nacional. Nesse sentido, o suicídio muitas vezes é encarado como uma fuga viável desse cenário, sendo essencial entender a caracterização desses casos para que intervenções assertivas sejam feitas.
OBJETIVO:
O objetivo deste estudo é analisar a literatura produzida a partir do ano de 2001 a respeito do suicídio nos povos indígenas brasileiros, com a finalidade de identificar as principais características deste imbróglio na população indígena no século atual.
MÉTODO:
Refere-se a uma revisão integrativa da literatura realizada segundo a metodologia de Whittmore e Knafl. A busca foi executada nas bases de dados Pubmed, Scielo e na Biblioteca Virtual em Saúde, com a seleção MEDLINE e Lilacs; com descritores ((indigenous peoples) OR (povos indígenas)) AND ((Brasil) OR (Brazil)) AND ((suicídio) OR (suicide)). Foram incluídos estudos com nível de evidência de A a C de acordo com a Oxford Center for Evidence Based Medicine; em português, inglês ou espanhol; no período de 2001 a 2021. Foram excluídos estudos com título e/ou resumo incoerentes com a questão; resumo indisponível na base de dados; versão completa paga e que não atendiam ao objetivo do estudo.
RESULTADOS:
5 artigos foram eleitos para este estudo; publicados entre 2011 e 2020; em língua inglesa e portuguesa; com metodologia transversal, ecológico, coorte retrospectivo e revisão sistemática. As principais fontes de dados foram o Sistema de Informação de Mortalidade e o Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena. Homens solteiros de 10 a 24 anos nos estados de Roraima, Amazonas e Mato Grosso correspondem a maior prevalência de suicídio indígena e o principal meio é o enforcamento. Há muitos casos que ocorrem na mesma família e observa-se que uma grande parcela dos suicídios de crianças ocorre nessas situações. Os principais fatores de risco incluem abolição de ritos de passagem, abuso de drogas, falta de acesso à educação e emprego, perda de territórios e condições de vida precárias.
CONCLUSÃO:
Assim, nota-se que o suicídio nos povos indígenas requer um olhar atento às condições de saúde, às desigualdades social e econômica e à questão da soberania desses povos em relação a seus territórios; sendo essencial ações que viabilizem a perspectiva de mudança de vida e a demarcação de terras.
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