Introdução: A demência caracteriza-se como um conjunto de alterações cognitivas resultantes de danos cerebrais, que ultrapassam as mudanças esperadas pelo envelhecimento fisiológico. Essas alterações comprometem funções como memória, atenção e raciocínio, além de influenciar o comportamento e a regulação emocional. Nesse cenário, surge o conceito de “demência digital” para descrever o impacto negativo do uso excessivo de tecnologias digitais sobre o funcionamento cognitivo, especialmente em indivíduos expostos de forma intensa e precoce a dispositivos eletrônicos. Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre os impactos do uso excessivo de mídias digitais no desenvolvimento e funcionamento cognitivo. Método: Os artigos incluídos nesta revisão narrativa consistem em quatro revisões narrativas e uma revisão sistemática, publicados entre 2021 e 2026 na base de dados PubMed, caracterizando-se como estudos secundários voltados à síntese e análise crítica da literatura científica. A busca incluiu trabalhos que abordaram exposição prolongada a telas, desenvolvimento cerebral, neuroplasticidade, cognição, comportamento e saúde mental. Resultados: Os estudos analisados indicam que o uso excessivo de mídias digitais está associado a prejuízos na atenção, memória, controle inibitório, empatia cognitiva e funções executivas. Achados de neuroimagem apontam alterações estruturais, como redução da integridade da substância branca e diminuição da massa cinzenta em áreas relacionadas à linguagem, tomada de decisão e regulação emocional. A exposição precoce a conteúdos digitais mostrou-se particularmente prejudicial ao desenvolvimento motor, à linguagem e à aprendizagem. Em adolescentes, observou-se maior vulnerabilidade à ansiedade, expectativas irreais e comprometimento do desempenho cognitivo. Conclusão: A demência digital apresenta base neurobiológica relacionada à neuroplasticidade cerebral e ao uso inadequado e prolongado de tecnologias digitais, sobretudo durante fases críticas do desenvolvimento. Estratégias preventivas como a regulação do tempo de tela, a promoção da educação digital, o estímulo a atividades cognitivamente estimulantes e o uso de programas de treinamento cognitivo mostram-se fundamentais.
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Diogo Macedo Feijó
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