Introdução: A avaliação de crianças neuroatípicas (TEA/TDAH) demanda métodos que acessem o potencial cognitivo além das barreiras de linguagem e atenção. Protocolos estáticos frequentemente subestimam competências mascaradas por dificuldades funcionais. Sob as óticas de Vygotsky e Feuerstein, propõe-se uma avaliação dinâmica focada na Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). A gamificação atua como estratégia para organizar funções executivas e reduzir a ansiedade via feedbacks imediatos, isolando a lógica da expressão verbal. O objetivo é analisar como o lúdico revela capacidades preservadas na neurodiversidade. Relato de caso experiência: O presente relato descreve a avaliação psicopedagógica dinâmica de crianças neuroatípicas, baseada em perfis com índices cognitivos iniciais de 51,67%. Nestes casos, alertas em Linguagem (50%), Funções Executivas (50%) e Lógico-Matemática (55%) refletem barreiras funcionais e não incapacidade intelectual. Observou-se, ainda, fadiga motora e desatenção espacial (60%) em tarefas convencionais. O mapeamento do potencial ocorreu através de uma tríade multimodal: games digitais, jogos de tabuleiro e brinquedos estruturados. Durante as sessões, mecânicas de jogo compensaram a barreira comunicativa e a baixa tolerância à frustração (65% socioemocional). Nos games digitais, as crianças demonstraram persistência ao erro e antecipação lógica, superando as oscilações do TDAH. Nos jogos analógicos, regras visuais suportaram a atenção compartilhada e o controle inibitório. Brinquedos estruturados revelaram planejamento espacial acima da média, mitigando a fadiga motora pela manipulação lúdica. A mediação focou em pistas visuais e questionamentos reflexivos, revelando alta capacidade de transferência de aprendizado (transcendência). Os instrumentos lúdicos criaram um cenário seguro onde o sujeito externalizou processos complexos sem a sobrecarga da interação verbal direta. Os resultados indicaram teto operacional elevado, provando que a desestruturação funcional não impedia o raciocínio lógico-abstrato. Conclusão: Instrumentos gamificados revelam o potencial real de crianças neuroatípicas ao isolar disfunções comunicativas e oferecer suporte à autorregulação. A mediação ressignifica alertas iniciais, evidenciando funções executivas robustas. Conclui-se que o jogo transforma a avaliação em laboratório de capacidades, garantindo intervenções fundamentadas em evidências e nas potencialidades reais do aluno.
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Diogo Macedo Feijó
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