Introdução: A Síndrome de Down (SD), causada pela trissomia do cromossomo 21, que leva a diversas limitações físicas e cognitivas, incluindo atrasos do desenvolvimento neuropsicomotor, maior risco de problemas muscoesqueléticos e obesidade. Intervenções com exercícios físicos não fazem parte da estratégia terapêutica de rotina, mas parecem demonstrar benefícios. Objetivo: Revisar sistematicamente, a eficácia do exercício físico em indivíduos com SD, centrando-se na composição corporal e nos resultados de saúde associados. Método: Esta revisão sistemática seguiu as diretrizes do PRISMA e foi registrada no PROSPERO (CRD4202561407). Foram incluídos ensaios clínicos controlados e randomizados que investigaram intervenções de atividade física em indivíduos com SD, comparados a um grupo controle sem atividade física. A busca foi realizada nas bases Scielo, PubMed, LILACS, Embase, Cochrane e Web of Science, abrangendo publicações até novembro de 2023. Dois revisores realizaram a seleção e extração dos dados de forma independente e discrepâncias foram resolvidas através de discussão com um terceiro revisor. A análise estatística foi conduzida no JAMOVI, utilizando diferença média padronizada (SMD) em modelo de efeitos aleatórios. A heterogeneidade foi avaliada pelos estimadores REML, teste Q e estatística I². O risco de viés foi analisado pela ferramenta RoB 2. Resultados: Foram identificados 245 registros, dos quais 13 ECR (447 participantes de 8 países) foram incluídos. As intervenções variaram entre 6 e 43 semanas, com frequência de 1 a 5 sessões semanais. Observou-se redução significativa da massa corporal (SMD=-0,2099; IC95%: -0,3539 a -0,0658), do IMC (SMD=-0,2369; IC95%: -0,3891 a -0,0848) e da gordura corporal (SMD=-0,4255; IC95%: -0,7819 a -0,0690). A circunferência abdominal e a força muscular (chest e leg press) apresentaram tendências de melhora positiva, entretanto, as variações não demonstraram significância estatística no período analisado. Conclusão: A prática de exercícios físicos melhora a composição corporal em pessoas com SD, reduzindo significativamente a massa corporal, o IMC e a gordura corporal. Esses resultados reforçam o valor da atividade física estruturada como estratégia terapêutica para otimizar a saúde e a qualidade de vida nessa população.
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Diogo Macedo Feijó
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