Introdução: A dislexia do desenvolvimento se refere à dificuldades de leitura e escrita na ausência de alterações sensoriais, cognitivas e com estimulação adequada. Já o Processamento Auditivo Central (PAC), se refere às atividades neurobiológicas que possibilitam a interpretação das informações auditivas. Existe uma conexão entre ambos, com ênfase para a falha no processamento temporal, que prejudica a capacidade de interpretar informações dadas sequencialmente e de forma rápida, o que impacta negativamente a conversão grafema-fonema, base indispensável para uma leitura fluida. Objetivo: Sintetizar atuais evidências sobre conexões neurais entre dislexia e processamento auditivo. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada no Google acadêmico, Lilacs e Pubmed, com base em artigos dos últimos cinco anos, utilizando os termos dislexia, percepção auditiva e transtorno do neurodesenvolvimento associados. Resultados: Foram encontrados seis artigos considerados relevantes, que demonstraram associações audiovisuais (AV) como fundamentais para a aprendizagem da leitura. Evidências neuroanatômicas recentes apontam o Giro Temporal Superior (GTS) como o substrato crítico dessa relação: enquanto a porção posterior processa o envelope sonoro, a porção média foca na decodificação fonética. A falha nessas operações sensoriais impede a formação de representações fonológicas precisas, o que pode justificar tais alterações de PAC nos pacientes disléxicos. Conclusão: Dada a alta prevalência de dislexia e a sobreposição de sintomas relacionados ao processamento temporal, além das interrelações neurobiológicas, a avaliação e o diagnóstico preciso do PAC e a terapia envolvendo a melhora de suas habilidades tornam-se imprescindíveis para um melhor prognóstico desses pacientes.
Descritores: Dislexia do desenvolvimento, percepção auditiva, transtorno do neurodesenvolvimento, fonoaudiologia.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica