Introdução: A primeiríssima infância, compreendida entre o nascimento e os 36 meses, constitui período crítico para o desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional, influenciado por fatores biológicos, ambientais e contextuais. Compreender o perfil sociodemográfico e clínico de crianças atendidas por serviços especializados é essencial para subsidiar intervenções e políticas de cuidado. Objetivo: Este estudo teve como objetivo delinear características individuais, familiares e clínicas de crianças de 0 a 36 meses atendidas em serviço especializado de Campina Grande/PB, fornecendo subsídios para o planejamento institucional e a adequação das práticas terapêuticas. Método: Trata-se de pesquisa descritiva, de abordagem quantitativa, conduzida com 47 crianças regularmente atendidas. A coleta de dados ocorreu por meio de questionários sociodemográficos e anamneses clínicas junto aos responsáveis, com posterior organização em banco de dados eletrônico e análise estatística descritiva utilizando o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Campina Grande, sob parecer nº 7.861.186, a participação ocorreu mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: Os resultados indicaram maior frequência de crianças na faixa etária de 25 a 36 meses, com discreto predomínio do sexo masculino. Foi observado heterogeneidade socioeconômica, predominando o desemprego entre os responsáveis, assim como variabilidade nos níveis de escolaridade, do analfabetismo ao ensino superior incompleto. A maioria das crianças encontrava-se inserida em acompanhamento terapêutico, principalmente com duas ou três modalidades de intervenção, refletindo a complexidade das demandas assistenciais. Quanto às condições clínicas, a Síndrome de Down foi o diagnóstico mais prevalente, seguida por atraso global do desenvolvimento, doenças neurológicas, malformações congênitas e síndromes raras. Foram identificados casos de epilepsia, hidrocefalia, paralisia cerebral e microcefalia, evidenciando a necessidade de acompanhamento multiprofissional individualizado. Conclusão: Esses achados ressaltam a diversidade de contextos familiares e a complexidade clínica da população atendida, reforçando a importância de estratégias institucionais integradas e fundamentadas em evidências, capazes de promover cuidado integral, inclusivo e adaptado às especificidades da primeira infância.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica