INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS E REGULAÇÃO EMOCIONAL EM ESTUDANTE COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NO ENSINO FUNDAMENTAL: UM RELATO DE CASO

  • Autor
  • Maria Karoline Nóbrega Souto Dantas
  • Resumo
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    Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por alterações na comunicação social, flexibilidade comportamental, processamento sensorial e regulação emocional, impactando o desempenho escolar de forma heterogênea. Em muitos casos, observa-se coexistência entre desempenho cognitivo elevado e dificuldades relacionadas às funções executivas, especialmente controle inibitório, flexibilidade cognitiva e manejo da frustração. A organização do ambiente escolar com estratégias estruturadas e previsíveis constitui fator relevante para a adaptação comportamental e consolidação da aprendizagem. Relato de Caso: Descreve-se o acompanhamento longitudinal de um estudante com TEA no Ensino Fundamental I ao longo do ano letivo de 2025. O aluno apresentou desempenho cognitivo acima da média, elevada autonomia acadêmica e forte interesse por leitura e desenho, sem prejuízos na aquisição de conteúdos. Contudo, evidenciaram-se desafios relacionados à impulsividade, baixa tolerância à frustração, dificuldade de redirecionamento atencional e sensibilidade a estímulos sonoros intensos. Foram implementadas intervenções estruturadas, incluindo combinados pedagógicos claros, uso planejado do desenho como estratégia autorregulatória em momentos de espera, mediação individual nas transições e suporte progressivamente reduzido nas interações sociais. Ao longo do período, observou-se diminuição significativa na frequência e intensidade das reações impulsivas, aumento da flexibilidade comportamental, ampliação do repertório social e maior participação em contextos anteriormente evitados. Conclusão: A experiência observada ao longo do ano letivo indica que intervenções pedagógicas sistematizadas, baseadas na compreensão das especificidades do neurodesenvolvimento, favorecem a reorganização comportamental e o fortalecimento das funções executivas em estudantes com TEA, mesmo na ausência de comprometimento cognitivo. A previsibilidade ambiental, a mediação consistente e o uso de interesses específicos como recursos estruturantes mostraram-se estratégias eficazes para promover autorregulação, adaptação social e engajamento acadêmico sustentável no contexto escolar.

  • Palavras-chave
  • Transtorno do Espectro Autista, Neuroeducação, Funções executivas, Autorregulação, Práticas pedagógicas baseadas em evidências.
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