Introdução: O aumento de diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista (TEA),
associado à persistência de identificações tardias, configura um desafio para a
Atenção Primária à Saúde (APS), com repercussões no desenvolvimento infantil e
sobrecarga da rede de atenção. Nesse contexto, destaca-se o papel da Estratégia
Saúde da Família, especialmente de médicos e enfermeiros, no acompanhamento
do desenvolvimento infantil, na detecção precoce de sinais sugestivos de TEA e no
manejo clínico-assistencial inicial. Objetivo: Identificar conhecimentos, percepções e
dificuldades de médicos e enfermeiros da APS relacionados ao manejo inicial de
crianças com sinais sugestivos de TEA. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo,
de abordagem qualitativa, que utilizou a técnica de grupo focal. Participaram 14
profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) atuantes na Atenção Primária à
Saúde de um município da mesorregião do Sertão Paraibano. As discussões foram
conduzidas a partir de roteiro semiestruturado e os dados foram analisados por meio
da análise de conteúdo temática. Resultados: Embora os profissionais reconheçam
a importância da triagem precoce e demonstrem conhecimento geral sobre o TEA,
persistem dificuldades para operacionalizar esse conhecimento na prática da APS.
Os relatos evidenciaram insegurança para sustentar a suspeição clínica,
especialmente em crianças menores, além de baixa familiaridade ou utilização
restrita de instrumentos de rastreamento já disponíveis, como aqueles presentes na
Caderneta da Criança. Também foram mencionadas limitações estruturais nas
consultas de puericultura, incluindo tempo reduzido, alta demanda e escassez de
recursos materiais que auxiliem na observação do desenvolvimento infantil.
Somam-se a esse cenário fragilidades na articulação com a rede especializada, com
dificuldades de acesso e ausência de contrarreferência, o que contribui para atrasos
no encaminhamento e descontinuidade do cuidado. Conclusão: Os achados
evidenciam lacunas no manejo inicial do TEA na APS, especialmente relacionadas à
insegurança profissional e à baixa utilização de instrumentos de rastreamento.
Essas fragilidades podem contribuir para atrasos no reconhecimento e no
encaminhamento de crianças com sinais sugestivos do transtorno, indicando a
necessidade de qualificação das equipes e de fortalecimento das estratégias de
apoio à detecção precoce no âmbito da atenção primária.