ENTRE O CONHECIMENTO E A PRÁTICA: MANEJO PRECOCE DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

  • Autor
  • Hilana Cristina Lins Machado
  • Co-autores
  • Amanda Araújo Barbosa , Renally Dias de Lira , Bruna Gonçalves Pessoa , Cícera Renata Diniz Vieira Silva
  • Resumo
  •  

    Introdução: O aumento de diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista (TEA),
    associado à persistência de identificações tardias, configura um desafio para a
    Atenção Primária à Saúde (APS), com repercussões no desenvolvimento infantil e
    sobrecarga da rede de atenção. Nesse contexto, destaca-se o papel da Estratégia
    Saúde da Família, especialmente de médicos e enfermeiros, no acompanhamento
    do desenvolvimento infantil, na detecção precoce de sinais sugestivos de TEA e no
    manejo clínico-assistencial inicial. Objetivo: Identificar conhecimentos, percepções e
    dificuldades de médicos e enfermeiros da APS relacionados ao manejo inicial de
    crianças com sinais sugestivos de TEA. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo,
    de abordagem qualitativa, que utilizou a técnica de grupo focal. Participaram 14
    profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) atuantes na Atenção Primária à
    Saúde de um município da mesorregião do Sertão Paraibano. As discussões foram
    conduzidas a partir de roteiro semiestruturado e os dados foram analisados por meio
    da análise de conteúdo temática. Resultados: Embora os profissionais reconheçam
    a importância da triagem precoce e demonstrem conhecimento geral sobre o TEA,
    persistem dificuldades para operacionalizar esse conhecimento na prática da APS.
    Os relatos evidenciaram insegurança para sustentar a suspeição clínica,
    especialmente em crianças menores, além de baixa familiaridade ou utilização
    restrita de instrumentos de rastreamento já disponíveis, como aqueles presentes na
    Caderneta da Criança. Também foram mencionadas limitações estruturais nas
    consultas de puericultura, incluindo tempo reduzido, alta demanda e escassez de
    recursos materiais que auxiliem na observação do desenvolvimento infantil.
    Somam-se a esse cenário fragilidades na articulação com a rede especializada, com
    dificuldades de acesso e ausência de contrarreferência, o que contribui para atrasos
    no encaminhamento e descontinuidade do cuidado. Conclusão: Os achados
    evidenciam lacunas no manejo inicial do TEA na APS, especialmente relacionadas à
    insegurança profissional e à baixa utilização de instrumentos de rastreamento.
    Essas fragilidades podem contribuir para atrasos no reconhecimento e no
    encaminhamento de crianças com sinais sugestivos do transtorno, indicando a
    necessidade de qualificação das equipes e de fortalecimento das estratégias de
    apoio à detecção precoce no âmbito da atenção primária.

     

  • Palavras-chave
  • Transtorno do Espectro Autista, Atenção Primária à Saúde, Diagnóstico precoce.
  • Modalidade
  • Pôster
  • Área Temática
  • Neurociências e Transtornos Neuropsiquiátricos/Transtornos do Neurodesenvolvimento
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