Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por prejuízos na comunicação social e padrões restritos de comportamento, sendo estratificado em níveis de suporte (1 a 3) conforme a intensidade da demanda por apoio adaptativo. Crianças com TEA nível 1 apresentam menor necessidade de suporte externo, com a fluência verbal e o vocabulário frequentemente preservados. Embora a comunicação expressiva se apresente funcional, a compreensão de instruções complexas e aspectos contextuais da linguagem pode estar prejudicada, o que contribui para dificuldades escolares e sociais. Assim, a análise comparativa com o desenvolvimento típico torna-se necessária para discriminar as especificidades entre os domínios receptivo e expressivo nesse perfil. Objetivo: Comparar a comunicação de crianças com TEA nível 1 em relação aos seus pares típicos. Método: Participaram 40 crianças de 5 a 7 anos (M=6,18; DP=0,71), sendo 20 com desenvolvimento típico e 20 com TEA, residentes em João Pessoa-PB. Utilizou-se o domínio da comunicação do Battelle Developmental Inventory (BDI-3), com análise dos subdomínios receptivo e expressivo. O estudo foi aprovado pelo CEP (CAAE: 75104223.5.0000.5149). Aplicou-se o teste de Mann-Whitney, com p<0,05. Resultados: Observou-se diferença significativa na comunicação total entre os grupos (p=0,004; r=0,45). A comunicação receptiva apresentou maior comprometimento (p = 0,006; r=0,43) em comparação à expressiva (p=0,040; r=0,33), o que indica padrão assimétrico de desempenho, com maiores dificuldades na compreensão da linguagem. Conclusão: Os dados obtidos nesta amostra evidenciam um perfil comunicativo heterogêneo em crianças com TEA nível 1, caracterizado por um desempenho superior na modalidade expressiva em relação à receptiva. A persistência de limitações na compreensão e no uso contextual da linguagem, mesmo diante de uma fluência verbal preservada, indica que as dificuldades receptivas constituem uma especificidade relevante neste grupo. Tais achados reforçam a necessidade de avaliações clínicas e educacionais que contemplem as dimensões semântico-pragmáticas para mitigar possíveis impactos na aprendizagem e na interação social dessa amostra.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
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