Introdução: O uso de dispositivos com telas tem se intensificado progressivamente, sendo incorporado precocemente ao cotidiano de crianças e adolescentes. Considerando que a infância e a adolescência constituem períodos críticos para o desenvolvimento das funções executivas – como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva –, levanta-se a preocupação de que a exposição excessiva e não mediada possa interferir nesses processos e, consequentemente, na consolidação da aprendizagem e no desempenho acadêmico. Objetivo: Analisar criticamente a literatura sobre a associação entre o uso excessivo de telas, funções executivas e repercussões no processo de aprendizagem de crianças e adolescentes. Método: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura com buscas nas bases SciELO, Google Scholar, Portal de Periódicos CAPES, PubMed e Acervo+, incluindo estudos empíricos e revisões publicados nos últimos dez anos, nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra, que investigassem a relação entre do tempo de exposição às telas, funções executivas e desempenho acadêmico. Resultados: Alguns estudos sugerem que o uso mediado e com finalidade pedagógica demonstra potencial para estimular habilidades cognitivas específicas; contudo, os mesmos estudos afirmam que o uso excessivo e passivo pode ser prejudicial. As evidências, em sua maioria, indicam que o uso excessivo e predominantemente passivo de telas associa-se a prejuízos no controle inibitório, na memória de trabalho e na flexibilidade cognitiva, além de alterações funcionais no córtex pré-frontal e redução de massa cinzenta em áreas relacionadas à autorregulação. Observam-se ainda impactos no padrão atencional, maior impulsividade e dificuldades de organização e planejamento, repercutindo negativamente na consolidação da memória e no rendimento escolar. Conclusão: Os achados sugerem que o uso excessivo de telas pode comprometer funções executivas essenciais ao processo de aprendizagem, especialmente quando ocorre de forma não supervisionada e passiva. Destaca-se a necessidade de estratégias educativas e orientações baseadas em evidências que promovam um uso equilibrado e qualitativamente direcionado das tecnologias digitais no contexto infantojuvenil.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica