Introdução: O comportamento adaptativo refere-se à eficácia com que o indivíduo responde às demandas sociais e práticas do cotidiano. No Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte, é comum a suposição de que um desempenho cognitivo preservado prediga autonomia funcional. No entanto, evidências indicam que crianças com inteligência dentro da média podem apresentar prejuízos em habilidades práticas. Objetivo: Comparar o desempenho adaptativo entre crianças com TEA nível 1 e desenvolvimento típico, e analisar a relação entre inteligência fluida e comportamento adaptativo no TEA. Método: Participaram 40 crianças (n=20 TEA; n=20 típicas), com idades entre 5 e 7 anos (M=6,18; DP=0,71), residentes em João Pessoa-PB. Utilizou-se o Teste de Matrizes Progressivas Coloridas de Raven e o domínio adaptativo da BDI-3. O estudo foi aprovado pelo CEP (CAAE: 75104223.5.0000.5149). Aplicaram-se os testes de Mann-Whitney e correlação de Spearman. Resultados: Confirmada a equivalência cognitiva (p=0,684) entre o grupo TEA (M=24,60; DP=8,41) e o grupo com desenvolvimento típico (M=24,40; DP=5,96), observou-se que o grupo clínico apresentou desempenho inferior no domínio adaptativo em relação aos seus pares típicos (p< 0,001; r=0,53). Diferenças estatisticamente significativas foram identificadas em autocuidado (p<0,001; r=0,54) e responsabilidade pessoal (p=0,005; r=0,44). Por fim, não houve correlação significativa entre inteligência fluida e comportamento adaptativo (r?=0,162; p=0,318). Conclusão: Crianças com TEA nível 1 desta amostra apresentam prejuízos funcionais mesmo com desempenho cognitivo preservado. A ausência de associação indica que habilidades cognitivas podem não garantir autonomia nas demandas da vida diária. Recomenda-se a avaliação sistemática do funcionamento adaptativo desde o diagnóstico.
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Diogo Macedo Feijó
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