Introdução: No Brasil, nos últimos anos, o aumento da sobrevida de crianças prematuras extremas tem trazido esperança para um país que já vivenciou índices expressivos de mortalidade infantil. Em diversas áreas das ciências da saúde, tem-se investido tempo na busca por compreender se há impactos nocivos na vida dessas crianças ao longo de seu crescimento. Dentre os aspectos do desenvolvimento, a perspectiva intelectual tem sido analisada minuciosamente, sobretudo sob a ótica de pesquisadores que estudam crianças em idade escolar, na tentativa de compreender se há correlação entre prematuridade e déficits acadêmicos. Objetivo: No presente estudo, foi realizada uma revisão integrativa da literatura em busca de dados que expliquem a indagação relativa à associação entre dificuldades cognitivas e acadêmicas e a vivência da prematuridade. Método: Para tanto, realizamos uma revisão integrativa com busca de artigos em bases de dados como Lilacs, PubMed e Web of Science, selecionando estudos publicados entre 2020 e 2025. Foram utilizados como descritores em português “prematuro”, “nascimento” e “desempenho escolar” e, em inglês, “Premature”, “Birth” e “School Performance”, utilizando o operador booleano “AND”. Resultados: Treze artigos foram incluídos na pesquisa, trazendo dados que corroboram entre si e evidenciam desafios enfrentados por crianças prematuras e prematuras extremas quando comparadas a crianças nascidas a termo. Foram identificados aspectos como atraso motor, que impacta na desenvoltura em atividades como segurar um lápis, além de prejuízos motores que atrasam a aquisição da fala. Crianças prematuras apresentaram maiores desafios já na educação infantil quando comparadas às crianças a termo. Contudo, dificuldades relacionadas à atenção, à alfabetização e à compreensão matemática tenderam a se intensificar ao longo dos anos, sobretudo na idade escolar, por volta dos 8 ou 9 anos. No campo da inteligência, observaram-se déficits marcantes em compreensão verbal, habilidades visuoespaciais, memória de trabalho e desempenho acadêmico. Na vida adulta, alguns estudos também apontam menor taxa de aquisição de diploma de graduação. Conclusão: Destarte, é possível observar que há ligação entre prematuridade e impactos no desenvolvimento humano de crianças em idade escolar, com prejuízos em sua cognição, mais especificamente nos aspectos intelectivos globais que, associados, indicam baixo rendimento escolar.
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Diogo Macedo Feijó
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