O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por desatenção e impulsividade/hiperatividade, que impactam as habilidades socioemocionais. Sua origem é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais, culturais e alterações neurobiológicas. O transtorno envolve alterações em circuitos ligados às funções executivas e na regulação de neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, favorecendo comportamentos de impulsividade, desorganização e desatenção, dificultando a autorregulação. Embora a atuação sobre o TDAH esteja centrada em trabalhar as dificuldades comportamentais e atencionais, é essencial destacar os efeitos emocionais. Essa associação ao menor desempenho em inteligência emocional pode gerar interpretações individualizantes e capacitistas. Portanto, será adotado o termo aprendizagem socioemocional, compreendendo o papel do ambiente e da sociedade no desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Desse modo, o trabalho analisará a relação entre o TDAH e a aprendizagem emocional, explorando como funções executivas e aspectos neurobiológicos influenciam dificuldades de autorregulação frequentemente confundidas com incapacidade socioemocional, além de propor estratégias que favoreçam a sua aprendizagem. A metodologia utilizada foi a revisão de literatura de artigos e obras científicas publicadas nos últimos dez anos em plataformas de dados como SciElo, Google Acadêmico e bibliotecas digitais. Assim, a análise mostrou que as dificuldades observadas relacionam-se à elaboração das emoções, e não a uma incapacidade emocional, que cria uma visão determinista e individualizante. Nesse sentido, a aprendizagem socioemocional humaniza o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, pois considera o contexto e as condições em que a pessoa está inserida para construí-las, como a escola, a família e o trabalho. Ademais, é essencial atuar com intervenções como a organização ambiental, a prática de mindfulness, psicoeducação, estratégias metacognitivas, uma vez que a medicalização isolada não é suficiente para a regulação emocional, além de que o ser humano tem capacidade de neuroplasticidade e aprendizagem. Em síntese, a aprendizagem socioemocional emerge como uma abordagem mais contextualizada, considerando o papel das interações e do contexto no desenvolvimento. Essa visão contribui para avanços na neurociência e uma atuação clínica e educacional mais sistêmica e empática.
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Diogo Macedo Feijó
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