Introdução: A exposição de crianças a telas aumentou com a pandemia de COVID-19 e a popularização de dispositivos digitais. Esse cenário tem gerado preocupação quanto a impactos no desenvolvimento infantil, especialmente em populações vulneráveis, como crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA é caracterizado por déficits na comunicação social, interação interpessoal e padrões restritos de comportamento. Estudos recentes sugerem que o uso excessivo de telas pode exacerbar esses sintomas. Objetivo: Analisar, por meio de revisão narrativa, os possíveis impactos do consumo excessivo de telas sobre a autorregulação, a interação social e a atenção sustentada em crianças com TEA. Método: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura com buscas nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SciELO, Google Scholar, Portal CAPES e PubMed, incluindo artigos de revisão e estudos empíricos publicados nos últimos 10 anos, em português ou inglês, sobre população infantil com TEA e os desfechos investigados. Foram excluídos estudos duplicados ou fora do recorte temporal. Também foi realizada busca manual nas referências dos estudos selecionados. Resultados: A literatura indica que o uso excessivo de telas tem sido associado ao agravamento de sintomas centrais do TEA, como aumento de estereotipias, agitação psicomotora, dificuldades de comunicação e interação social, especialmente após exposição prolongada ou a conteúdos hiperestimulantes. Evidências neurobiológicas apontam redução da integridade microestrutural da substância branca (relacionada à linguagem e funções executivas) e menor modulação de conexões neurais envolvidas no controle cognitivo e atencional. A hiperestimulação também parece estar associada a dificuldades atencionais para além das telas, com prejuízos no engajamento da criança em contextos não digitais. Por outro lado, intervenções com redução do tempo de tela mostraram melhora dos sintomas e normalização de padrões eletrofisiológicos. Conclusão: Os resultados sugerem que o consumo excessivo de telas pode atuar como fator de risco adicional para dificuldades de autorregulação, atenção e interação social em crianças com TEA. No entanto, os efeitos parecem depender do tipo de conteúdo, do tempo de exposição e da mediação familiar. Estratégias que promovam uso mais regulado e interações sociais ativas podem contribuir para minimizar impactos negativos e favorecer o desenvolvimento socioemocional dessa população.
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Diogo Macedo Feijó
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