Introdução: A participação é um indicador central de saúde e desenvolvimento infantil. Crianças com TEA apresentam menores oportunidades de participação comunitária. Compreender as estratégias familiares que favorecem essa participação pode apoiar práticas e políticas mais responsivas. O estudo contou com a participação de uma pessoa com autismo como co-pesquisadora, contribuindo para a análise a partir da perspectiva da experiência vivida. Objetivo: Descrever as estratégias utilizadas por responsáveis para favorecer a participação comunitária de crianças com TEA. Método: Estudo qualitativo descritivo, recorte do projeto Participa TEA, aprovado por CEP, CAAE 85436124.1.0000.5149. Os dados foram coletados com responsáveis de crianças com TEA por meio do instrumento Participation and Environment Measure for Children and Youth (PEM-CY) – seção comunidade. Foram analisadas as respostas abertas, nas quais descrevem até três estratégias utilizadas para apoiar a participação. A análise seguiu abordagem temática, utilizando cinco elementos contextuais que influenciam a participação: pessoas que apoiam, lugares que facilitam, atividades que fazem sentido, recursos que ajudam e tempo que respeita o ritmo. As estratégias foram codificadas, categorizadas e organizadas em temas interpretativos pela equipe, que incluiu uma jovem com TEA. Resultados: Participaram 47 crianças (35 meninos e 12 meninas; média de idade = 9 anos). As estratégias relacionadas às pessoas que apoiam foram as mais citadas e incluem a presença ativa de adultos mediando interações e incentivando o contato com pares. Em lugares que facilitam, destaca-se a escolha de ambientes mais previsíveis e sensorialmente adequados. No eixo atividades que fazem sentido, aparecem adaptações em tarefas, esportes e atividades de lazer. Em recursos que ajudam, surgem o uso de Comunicação Aumentativa e Alternativa e dispositivos de regulação sensorial. Já no componente tempo que respeita o ritmo, destacam-se a organização da rotina e a escolha de horários mais adequados. Conclusão: A participação comunitária de crianças com TEA emerge da interação entre família, ambiente e oportunidades sociais. Embora o suporte familiar seja central para viabilizar essa participação, os resultados podem indicar a necessidade de ampliar adaptações. Estratégias baseadas em evidências, aliadas à incorporação da perspectiva de pessoas com autismo na pesquisa, podem contribuir para reduzir barreiras e promover maior participação social.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica