O comportamento alimentar infantil é influenciado por múltiplos fatores biológicos, ambientais e psicossociais, entre os quais se destacam as expectativas e atitudes dos pais no contexto das refeições. No cenário das dificuldades alimentares na infância, especialmente nos casos classificados como seletividade alimentar, a forma como os responsáveis interpretam e respondem às recusas alimentares pode influenciar significativamente a dinâmica das refeições e o desenvolvimento dos hábitos alimentares da criança. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência baseado na observação clínica de um caso acompanhado em contexto de atendimento nutricional. Inicialmente, a anamnese indicava a presença de uma dieta aparentemente restrita. Contudo, durante a avaliação detalhada do repertório alimentar, identificou-se que a criança aceitava uma variedade maior de alimentos do que aquela relatada pelos responsáveis. A discrepância entre o relato parental e a aceitação alimentar efetiva evidenciou a influência das concessões e das respostas emocionais maternas frente às recusas alimentares. Observou-se que, em determinadas situações, o descontrole emocional dos pais diante da recusa alimentar da criança pode favorecer uma inversão de papéis no momento das refeições, permitindo que a criança assuma maior controle sobre as escolhas alimentares. Conclusão: Os achados evidenciam a importância de alinhar as expectativas familiares, compreender as múltiplas causas associadas à seletividade alimentar e desenvolver estratégias de orientação nutricional que considerem a dinâmica relacional estabelecida no ambiente familiar. Conclui-se que o comportamento parental constitui um fator relevante na formação e consolidação dos hábitos alimentares infantis, devendo ser considerado em intervenções clínicas e educativas voltadas à promoção de práticas alimentares mais saudáveis.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica