Introdução: O vínculo terapêutico é considerado um dos principais fatores associados ao sucesso das intervenções psicológicas. No contexto da intervenção precoce baseada na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e no Modelo Denver, o engajamento da criança com o terapeuta é considerado pré-requisito para a aprendizagem e para a validade dos processos avaliativos. O presente estudo tem como objetivo relatar a influência do vínculo terapêutico nos resultados da avaliação psicológica e no engajamento de uma criança com diagnóstico compatível com TEA em contexto clínico. Relato de caso: Trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa, realizado em atendimento psicológico com uma criança, com diagnóstico compatível com Transtorno do Espectro Autista (CID-10 F84.0). O atendimento foi conduzido com base na ABA, utilizando o checklist curriculum do Modelo Denver para avaliação e intervenção precoce. Nos primeiros atendimentos, realizados com a terapeuta 1, observou-se resistência à entrada na sala, choro frequente, comportamentos de fuga e baixa permanência nas atividades, dificultando a aplicação do instrumento avaliativo e o estabelecimento de vínculo terapêutico. Após seis sessões sem evolução significativa, houve mudança de terapeuta, mantendo-se a mesma abordagem e protocolo. A terapeuta 2 priorizou estratégias de pareamento, atividades lúdicas, redução de demandas e reforçamento positivo, com foco inicial na construção da relação terapêutica. Após o estabelecimento do vínculo, observou-se maior engajamento, aumento do contato visual, melhor aceitação de instruções e maior participação nas atividades, possibilitando nova aplicação do instrumento avaliativo, com melhor desempenho.Conclusão: Os resultados evidenciam que o vínculo terapêutico influencia diretamente o engajamento da criança e a fidedignidade dos resultados obtidos na avaliação psicológica. A ausência de aliança terapêutica pode gerar respostas negativas que não refletem o real repertório da criança. Conclui-se que a construção do vínculo deve ser considerada etapa fundamental no atendimento de crianças com TEA, especialmente em intervenções precoces baseadas na ABA e no Modelo Denver, contribuindo para maior validade avaliativa e melhores resultados clínicos.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica