Introdução: Na infância, o brincar transcende o entretenimento, configurando-se
como a ocupação primária pela qual a criança explora o mundo, expressa sua
subjetividade e desenvolve competências neuropsicomotoras. No contexto do
Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa atividade encontra-se frequentemente
fragilizada devido ao desenvolvimento atípico e às restrições na interação social e no
repertório imaginativo. Para a Terapia Ocupacional, o brincar é tanto um meio quanto
um fim terapêutico, funcionando como uma ponte essencial para o engajamento
ocupacional e para a organização sensorial e cognitiva. Compreender a aplicação
técnica do lúdico é fundamental para fortalecer intervenções baseadas em evidências
no campo das neurociências. Objetivo: Analisar a relevância do brincar na
intervenção terapêutico-ocupacional voltada a crianças com TEA, destacando sua
aplicabilidade como facilitador do desenvolvimento global e da participação social.
Método: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de caráter qualitativo,
realizada por meio da análise de produções científicas e referenciais teóricos sobre a
interface entre Terapia Ocupacional, ludicidade e autismo. A busca baseou-se em
estudos que discutem as concepções profissionais e a eficácia das atividades lúdicas
no suporte ao neurodesenvolvimento. Resultados: A literatura científica aponta que o
brincar é uma das estratégias mais eficazes para o estabelecimento do vínculo
terapêutico no atendimento ao TEA. Os achados indicam que o uso do brincar
estruturado e simbólico favorece a redução de barreiras de comunicação e estimula a
flexibilidade cognitiva e a modulação sensorial. Observa-se que, ao intervir através do
lúdico, o terapeuta ocupacional promove o desenvolvimento de habilidades de
imitação e o compartilhamento de atenção, transformando o ato de brincar em um
ambiente seguro para a criança organizar suas estruturas mentais e ampliar sua
autonomia nas atividades cotidianas. Conclusão: Conclui-se que o brincar é
indispensável para a prática clínica da Terapia Ocupacional no cuidado ao TEA, sendo
o principal elo para o desenvolvimento integral. É necessário valorizar os modelos de
intervenção próprios da profissão que utilizam a ludicidade como eixo estruturante,
garantindo que a criança autista alcance maior qualidade de vida e inclusão social
através da valorização de sua ocupação principal.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica