Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. Evidências indicam que entre 80% e 88% das crianças com TEA apresentam comprometimentos motores, especialmente em Habilidades Motoras Fundamentais (HMF), como locomoção, manipulação de objetos e estabilidade. Embora intervenções baseadas em exercício físico tenham avançado, ainda há escassez de estudos focados especificamente no desenvolvimento das HMF nessa população. Objetivo: Avaliar a efetividade de intervenções baseadas em exercícios físicos para melhora das HMF em crianças com TEA. Método: Trata-se de uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados registrada no PROSPERO (CRD420251006267). As buscas foram realizadas nas seguintes bases: PubMed, Science Direct, SPORTDiscus, Scopus, Web of Science, EMBASE e Biblioteca Virtual da Saúde. Foram identificados 149 estudos, dos quais 10 atenderam aos critérios de elegibilidade definidos pelo método PICOS. A seleção foi conduzida no Rayyan Web Application. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala PEDro e o risco de viés pela ferramenta RoB 2. Resultados: Os estudos incluíram 258 crianças com TEA, com idades entre 3 e 14 anos, predominantemente do sexo masculino (75,6%). As intervenções baseadas em exercício físico demonstraram melhorias significativas nas HMF, especialmente em habilidades correr, saltar, galopar, pegar e arremessar e equilíbrio. Programas estruturados de 12 a 18 semanas, com prática sistemática de padrões motores, apresentaram os melhores resultados. Além dos ganhos motores, alguns estudos relataram melhorias em funções executivas, interação social e comportamento adaptativo. No entanto, cerca de 90% dos estudos apresentaram alto risco de viés, indicando limitações metodológicas. Conclusão: Intervenções baseadas em exercícios físicos mostram-se altamente responsivos à melhora das HMF em crianças com TEA, especialmente quando organizados em programas estruturados, progressivos e individualizados. Esses achados reforçam a importância da implementação de intervenções baseadas em evidências por profissionais da saúde e educação, além de estimular o envolvimento familiar no processo terapêutico. Entretanto, estudos com maior rigor metodológico e seguimento longitudinal são necessários para consolidar a robustez das evidências.
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Diogo Macedo Feijó
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