Introdução: O transtorno do espectro autista (TEA) é um conjunto de condições associadas ao neurodesenvolvimento caracterizado por entraves na interação social e na comunicação, concomitantemente a comportamentos repetitivos e restritos. Embora o fenótipo comportamental do TEA seja bem estabelecido, há um crescente reconhecimento da associação com distúrbios alimentares, especialmente a neofobia e a seletividade alimentar, resultando em modificações na conexão intestino-cérebro. Objetivo: Analisar quais as implicações dos padrões alimentares na sintomatologia em indivíduos com TEA. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica, do tipo revisão integrativa da literatura, utilizando o seguinte cruzamento de Descritores Ciências da Saúde (DeCS): "Autism Spectrum Disorder" AND "Gastrointestinal Microbiome" AND "Feeding Behavior" nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde e Scielo. Foram selecionados artigos nos idiomas inglês, português e espanhol, abrangendo publicações entre 2006 e 2026 com disponibilidade de texto completo e gratuidade. Resultados: Examinando os padrões alimentares e suas correlações com o fenótipo autista, foi encontrado maior impacto em aspectos como desempenho no desenvolvimento da linguagem, sociabilidade e consciência sensorial. Dessa forma, a influência dietética, em especial, o consumo restritivo de frutas, vegetais e proteínas, comumente relacionado à seletividade alimentar, somado à ingestão massiva de ultraprocessados, foi apontada como evidência que interliga comportamentos típicos do TEA à redução da diversidade alimentar. Logo, esse quadro influência severamente na qualidade nutricional, alimentando comportamentos fenotípicos clássicos dessa neurodivergência. Isto é, há uma correlação positiva entre a qualidade nutricional, com destaque para níveis ideais de ômega-3 e vitaminas, e a modulação da função cerebral, pensando sobretudo em pessoas com TEA, haja vista sua maior sensibilidade neurológica. Além disso, padrões alimentícios não ideais desregulam a microbiota intestinal, causando alterações na permeabilidade intestinal, contribuindo para a neuroinflamação, o que pode expressar-se como fator de influência clínica na manifestação sintomatológica. Conclusão: Portanto, há uma íntima relação entre manifestações clínicas comportamentais do TEA e os padrões dietéticos, o que concretiza a necessidade de acompanhamento nutricional alinhado com as terapias habituais.
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Diogo Macedo Feijó
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