Introdução: A música é reconhecida como recurso terapêutico integrante das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo utilizada na promoção do bem-estar físico, emocional e social. No contexto da reabilitação infantil, a música tem demonstrado efeitos positivos no desenvolvimento da comunicação, na interação social e na coordenação motora, especialmente em crianças com transtornos do desenvolvimento. O presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos da musicoterapia no desenvolvimento de crianças neurodivergentes atendidas na Atenção Primária à Saúde no município de São João do Cariri. Relato de experiência: Trata-se de um relato de experiência, atendimentos de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento acompanhadas na rede pública de saúde. A intervenção foi realizada no PSF Porcina Ramos, com participação de cinco crianças, sendo duas do sexo feminino e três do sexo masculino, previamente diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista, Transtorno do Déficit de Atenção, Hiperatividade e Transtorno de Ansiedade Generalizada. Os atendimentos ocorreram quinzenalmente, com duração de uma hora, utilizando atividades musicais estruturadas, incluindo canto, uso de instrumentos musicais simples, estímulos rítmicos com o corpo e construção de instrumentos, como o ganzá, confeccionado pelas próprias crianças durante as sessões. Durante as intervenções, observou-se melhora na coordenação motora, aumento do tempo de atenção, redução da ansiedade e maior interação social entre os participantes. Os relatos dos pais e responsáveis confirmaram mudanças positivas no comportamento, maior sociabilidade no ambiente familiar e melhor adaptação às atividades diárias. Conclusão: A prática musical favoreceu ainda o fortalecimento da autoestima, da autonomia e do trabalho em grupo, contribuindo para o desenvolvimento global das crianças. Conclui-se que a musicoterapia, inserida como prática integrativa na Atenção Primária à Saúde, constitui recurso terapêutico eficaz no cuidado de crianças com transtornos do desenvolvimento, promovendo benefícios emocionais, sociais e motores. A utilização da música como intervenção não farmacológica mostra-se uma estratégia inclusiva, humanizada e de baixo custo.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica