O transtorno de ansiedade consiste em condição mental caracterizada por preocupações excessivas e apreensão persistente, afetando crianças e adolescentes em diversos contextos socioculturais. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) se destaca no tratamento dessa condição psiquiátrica como intervenção baseada em evidências, sendo a aliança terapêutica uma variável de destaque para resultados positivos, sobretudo no atendimento infantil. Este trabalho objetiva relatar um caso que evidencia a importância do vínculo terapêutico no manejo da ansiedade infantil na prática da TCC, realizado com uma paciente do sexo feminino infantil, em ambiente clínico, encaminhada à terapia após seu responsável observar medo social excessivo e preocupação antecipatória no contexto escolar. De início, foi constatada uma postura insegura da paciente em relação à terapeuta e ao espaço clínico, como também observou-se desconforto, resistência à verbalização de sentimentos e dificuldade na identificação de pensamentos automáticos. Em resposta, o método adotado priorizou a construção da aliança terapêutica por meio de escuta ativa, respeito mútuo, validação emocional, uso de recursos lúdicos direcionados à comunicação e expressão, e estabelecendo metas conjuntas. A intervenção foi elaborada com base na TCC, englobando práticas como escuta ativa, diálogos interativos, identificação e reconstrução de pensamentos disfuncionais, psicoeducação sobre ansiedade, e metas/atividades com exposições graduais a meios ansiogênicos da paciente. Com o fortalecimento do vínculo terapêutico, baseado no respeito pelo tempo e pelas necessidades da paciente, observou-se uma diminuição considerável nos episódios ansiosos, maior engajamento social da paciente e adesão a pensamentos funcionais. A paciente passou a reconhecer pensamentos, sentimentos e comportamentos distorcidos, buscando soluções e/ou ressignificando a realidade, o que reduziu manifestações somáticas relatadas pela paciente. Conclusão: Observou-se que a centralidade da aliança terapêutica no tratamento da ansiedade infantil favoreceu a melhora clínica do quadro, uma vez que o vínculo foi o mediador das mudanças comportamentais e adesão nas atividades, e integração das habilidades desenvolvidas. Portanto, ressalta-se a relevância de integrar no tratamento da ansiedade infantil, um movimento prioritário na formação e fortalecimento do vínculo terapêutico, buscando qualidade de vida e saúde mental das crianças.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica