INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se por alterações persistentes na comunicação social e padrões comportamentais restritos, podendo incluir comprometimento significativo da linguagem oral. Nesse contexto, a Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA) apresenta-se como estratégia mediadora capaz de ampliar possibilidades comunicativas e favorecer a participação social de crianças com dificuldades severas de expressão verbal.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
A experiência foi desenvolvida em contexto clínico psicopedagógico com crianças entre 4 e 7 anos diagnosticadas com TEA e importante limitação da comunicação funcional. Durante os atendimentos, observaram-se baixa tolerância às demandas estruturadas, dificuldades na compreensão de instruções e elevados níveis de frustração associados às barreiras comunicativas. Como estratégia interventiva, foram introduzidas pranchas de CAA confeccionadas individualmente a partir dos interesses e necessidades identificados nas sessões. Inicialmente, utilizaram-se símbolos relacionados a ações e necessidades cotidianas, como solicitar atividades, expressar necessidades básicas, compreender comandos simples e indicar transições de rotina, organizados conforme princípios de sistemas de comunicação assistida, como o Pragmatic Organisation Dynamic Display (PODD). A intervenção ocorreu associada à modelagem comunicativa, na qual a terapeuta verbalizava instruções simultaneamente ao apontamento dos símbolos, favorecendo a associação entre fala, imagem e ação. Materiais adaptados também foram encaminhados para os contextos familiar e escolar, visando à generalização das habilidades comunicativas em diferentes ambientes. Ao longo do processo, observou-se redução da frustração, melhora na regulação comportamental e aumento do engajamento terapêutico, com uso progressivamente mais espontâneo das pranchas.
CONCLUSÃO
A experiência evidencia o potencial da CAA como estratégia mediadora da comunicação, da regulação emocional e do engajamento terapêutico em crianças com TEA. O uso de recursos visuais aliado à mediação intencional do profissional favoreceu a organização comportamental e ampliou possibilidades de interação funcional, reforçando a importância de intervenções estruturadas, individualizadas e baseadas em evidências nos contextos clínico e educacional.
Descritores: Comunicação Alternativa e Aumentativa; Transtorno do Espectro Autista; Comunicação Funcional; Neurodesenvolvimento
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica