Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento marcado por alterações na comunicação social e padrões comportamentais restritos, frequentemente associados a particularidades no processamento sensorial. Indivíduos no espectro podem manifestar hiper ou hiporresponsividade a estímulos do meio, resultando em sobrecarga sensorial, instabilidade emocional e barreiras de adaptação. Nesse cenário, o ambiente físico deixa de ser um elemento neutro e assume o papel de modulador da experiência sensorial e do bem-estar psicológico. Objetivo: Analisar como a interface entre Psicologia Ambiental e Neuroarquitetura contribui para a compreensão da experiência sensorial de pessoas com TEA, identificando diretrizes projetuais fundamentadas em evidências que favoreçam processos de regulação e inclusão. Método: Trata-se de uma revisão narrativa, de abordagem qualitativa e caráter exploratório. Foram realizadas buscas sistemáticas nas bases Scopus, PubMed, Web of Science e Google Scholar, contemplando publicações entre os anos de 2005 e 2025, nos idiomas português e inglês. Utilizaram-se descritores específicos relacionados à Neuroarquitetura, Psicologia Ambiental, TEA e Processamento Sensorial. Foram selecionados e analisados estudos que investigaram a influência direta do ambiente construído nas respostas sensoriais e comportamentais no contexto do autismo. Resultados: As evidências científicas indicam que características ambientais como iluminação artificial excessiva, ruídos constantes e poluição visual intensificam respostas de estresse e desorganização sensorial severa. Em contrapartida, a aplicação de ambientes com iluminação regulável, controle acústico rigoroso, organização espacial previsível e a criação de áreas de refúgio sensorial associam-se à redução da sobrecarga, maior estabilidade comportamental e melhor engajamento social. Tais estratégias de design favorecem a diminuição da ativação fisiológica relacionada ao estresse crônico e potencializam os processos de autorregulação emocional. Conclusão: A articulação interdisciplinar entre Psicologia Ambiental e Neuroarquitetura amplia a compreensão do espaço físico como um agente ativo na saúde mental e no desenvolvimento neuropsicológico de pessoas com TEA. Diretrizes projetuais baseadas em evidências fortalecem as práticas inclusivas e ratificam o planejamento ambiental como uma estratégia concreta para a promoção de autonomia, bem-estar e qualidade de vida.
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Diogo Macedo Feijó
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