Introdução: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) está associado a alterações de sinapses neuronais e na estrutura de circuitos neurais específicos, responsáveis pela integração social, comunicação, processamento sensório-motor e cognição. Nesse contexto, diferentes intervenções terapêuticas têm sido investigadas com o objetivo de estimular a modulação da atividade cortical e a neuroplasticidade para melhorias no desempenho funcional de crianças com TEA. Objetivo: Analisar a literatura acerca dos efeitos de diferentes abordagens terapêuticas na modulação da atividade cortical e neuroplasticidade de crianças com TEA. Método: Realizou-se uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados PubMed, Scielo, BVS, Science Direct e PeDRO, através da estratégia PICO (P: Crianças com TEA; I: Programas de reabilitação; C: Pacientes com TEA, antes e após a reabilitação e O: Resultados sobre a eficácia da reabilitação na plasticidade neural em pacientes com TEA). Utilizaram-se os descritores "Autism", "TEA", "Rehabilitation", "Therapy", "Brain", "Neural Plasticity", "Brain Plasticity", "Neuroplasticity", combinados com AND/OR. Foram incluídos estudos em crianças com TEA, publicados nos últimos 5 anos e excluídos estudos duplicados. Resultados: Foram rastreados 806 artigos e 803 foram excluídos por não se encaixarem nos critérios de elegibilidade, restando 3. Os estudos incluídos investigaram intervenções baseadas em Naturalistic Developmental Behavioral Interventions, reabilitação com realidade virtual e estimulação transcraniana por corrente contínua. De modo geral, observou-se melhora em aspectos comportamentais, motores e de interação social, associadas a indícios de modulação da atividade cortical e possíveis adaptações neuroplásticas, sugerindo efeitos positivos dessas abordagens na reorganização funcional de redes neurais em crianças com TEA. Conclusão: As diferentes abordagens terapêuticas supracitadas podem ser promissoras para promover modificações neurais funcionais em crianças com TEA, seja por meio de estimulação comportamental estruturada ou pela modulação da excitabilidade cortical. Esses achados sugerem potencial contribuição dessas intervenções para a reorganização de redes neurais e para melhorias no desempenho funcional. No entanto, o número reduzido de estudos incluídos evidencia a necessidade de novas pesquisas com amostras maiores e metodologias mais robustas.
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Diogo Macedo Feijó
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