Introdução: A saúde mental de mães de pessoas neurodivergentes, especialmente aquelas com filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), apresenta-se como um importante desafio para a saúde pública, sendo frequentemente marcada por sobrecarga física e emocional, sintomas de ansiedade, depressão e comprometimento da qualidade de vida. No contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), ainda são incipientes as ações voltadas ao cuidado dessas mulheres, apesar da necessidade de uma abordagem integral. Relato de experiência: O presente estudo tem como objetivo relatar a experiência de um grupo de apoio a mães de crianças com TEA, desenvolvido em uma Unidade de Saúde da Família no município de Campina Grande, Paraíba. Trata-se de um relato de experiência, com encontros quinzenais voltados à promoção da saúde mental e fortalecimento de vínculos. No primeiro encontro, foi realizado acolhimento, psicoeducação sobre o autismo e aplicação do instrumento WHOQOL-Bref, utilizado para avaliação da qualidade de vida. Os resultados evidenciaram baixos escores em todos os domínios (físico, psicológico, social e ambiental), indicando comprometimento significativo da qualidade de vida das participantes. Observou-se, por meio de relatos, elevada sobrecarga, sofrimento psíquico e uso frequente de psicotrópicos para manejo de ansiedade e insônia. Como intervenção, foram ofertados atendimentos facilitados com equipe multiprofissional, atualização de exames e cadernetas vacinais, além de espaço de escuta qualificada. A experiência evidenciou que, mesmo em curto período, ações grupais na APS podem promover acolhimento, fortalecimento de vínculos e ampliação do acesso ao cuidado. Conclusão: Conclui-se que há necessidade de fortalecimento de estratégias contínuas e humanizadas voltadas à saúde mental de mães atípicas, visando à promoção da qualidade de vida e à integralidade do cuidado.
Comissão Organizadora
Diogo Macedo Feijó
Comissão Científica